
03/12/2024
Favelas e comunidades urbanas estão entre as áreas mais impactadas pelos atuais efeitos da crise climática. Entre elas, as chamadas comunidades hiper vulnerabilizadas são especialmente ameaçadas. Nesses lugares, as moradias ainda são feitas de restos de madeira e sucata, as vias são de terra e o acesso à água e saneamento é escasso – e as pessoas que vivem nestes espaços seguem sem políticas públicas pensadas para a sua realidade.
É neste contexto que a TETO Brasil, organização que se dedica desde 2006 à superação da pobreza por meio da construção de casas e soluções de infraestrutura emergenciais nas favelas mais invisibilizadas do país, dá início ao projeto de construção de moradias resilientes.
“Os moradores das favelas hiper vulnerabilizadas são os primeiros atingidos por tragédias ambientais como as que aconteceram do Sul ao Norte do país neste ano. Por isso, o projeto de moradias resilientes é tão urgente e revolucionário. Sem soluções como esta, resistentes às ondas de chuva e calor que já chegaram, as famílias estão correndo risco de vida”, explica Camila Jordan, diretora executiva da TETO Brasil.
O novo modelo adotado pela ONG tem o objetivo de oferecer maior conforto e segurança aos moradores. A construção da primeira moradia deste modelo, foi uma versão piloto do projeto em uma comunidade em Recife, Pernambuco. Neste momento foram testadas as metodologias de construção para que então o voluntariado jovem mobilizado pela organização passe a multiplicar essas construções.
“Não podemos mais ignorar a emergência diária na qual as pessoas sobrevivem e precisamos promover condições de vida melhores às famílias que precisam parar de morar num piso de terra, em um barraco feito de restos de sucata e madeira”, detalha Camila.
Depois da construção piloto em Pernambuco, a equipe da TETO Brasil, começou a construção de moradias semelhantes em São Paulo, no dia 24 de novembro, com total protagonismo do voluntariado e da comunidade. As moradias resilientes estão sendo construídas com moradores da comunidade City, no Campo Limpo, Zona Sul da cidade. A favela enfrenta alagamentos severos. Por lá, moradores relatam que à água que entra nas suas casas chega a até 1m de altura.
Assim como em todos os projetos da organização, a participação das comunidades é indispensável. O projeto foi desenvolvido para promover a participação dos moradores na construção ou adaptação de suas próprias casas, empoderando as comunidades para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.
Desenvolvida em parceria com a iniciativa Roof Over Our Heads e com o Bank of America, a moradia resiliente também está sendo construída pela TETO|TECHO em outros países da América Latina. No Brasil, seu custo é cerca de 40% maior do que o custo da moradia emergencial tradicionalmente construída pela organização. Mas, ao longo do tempo essa diferença diminui para 10%, em razão da maior durabilidade dos materiais.
“O desafio da adaptação climática vai além de soluções técnicas; é a construção coletiva de soluções resilientes que fortalece o nosso futuro nas cidades”, ressalta Camila. “A questão da moradia precisa ser central para a construção de cidades adaptadas aos desafios climáticos que já estamos enfrentando e vamos enfrentar cada vez mais. A moradia é uma das peças centrais do imenso quebra-cabeça”.
As moradias resilientes são parte de um modelo inovador, que busca não apenas mitigar o impacto dos desastres ambientais, mas também empoderar as comunidades para enfrentarem o futuro.
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