
28/01/2025
O nome científico é Physalaemus soaresi e ficou famosa entre os leigos quando, em 2009, o governo do estado precisou paralisar as obras do Arco Metropolitano do Rio por causa dos espécimes de uma rã raríssima, de apenas dois centímetros, que corria o risco de desaparecer. Para não aterrar o lago onde ela vive, na Floresta Nacional Mário Xavier, em Seropédica, o estado teve que gastar R$ 18 milhões na construção de um viaduto. Mas, como nem todas as contrapartidas ambientais foram cumpridas, o BioParque do Rio inicia oficialmente nesta quarta-feira uma pesquisa para fazer o mapeamento genético do anfíbio e seus hábitos alimentares, entre outros detalhes. O objetivo é tentar salvá-la da extinção e avaliar os impactos ambientais que o desaparecimento do animal poderia provocar.
— A pesquisa será por etapas. A gente escolheu uma espécime semelhante (Physalaemus signifer) que não está ameaçada. Foram capturados nove exemplares, além de girinos para realizarmos os estudos. Essa fase vai levar um ano. É o tempo necessário para termos a experiência necessária — explica o diretor técnico do Grupo Cataratas, Marcos Traad.
O superintendente do Ibama no Rio, Rogério Rocco, diz que o viaduto não surtiu o efeito esperado porque os usuários da via costumam jogar lixo no lago, que está cada vez mais ameaçando a sobrevida dos espécimes.
— Licenciar um viaduto numa área de preservação já foi um absurdo. O problema é que o projeto previa outras contrapartidas ambientais para preservar os ambientes naturais dessas rãs, que não foram desenvolvidos, como a implantação de um novo centro de triagem de animais silvestres, cuja estrutura ajudaria a preservar espécimes em extinção — afirma Rocco.
A construção da estrutura para proteger o ambiente das rãs virou motivo de controvérsia e confusão. Informalmente, o local é conhecido como "Viaduto das Pererecas", embora essas sejam espécimes diferentes de anfíbios. Em 2011, durante as obras do Arco Metropolitano, o então governador Sergio Cabral fez piada com a situação, confundindo os espécimes.
— Como dizia o grande estadista inglês Winston Churchill, a democracia dá trabalho pra burro, mas não inventaram sistema melhor. Por isso, quando surge uma "perereca´"no meio do caminho, então vai-se estudar que "perereca" é esta, qual a espécie, como fazer para garantir a procriação etc. Dá trabalho, atrasa a obra, mas isso faz parte do jogo democrático — disse Cabral.
Fonte: O Globo
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