
30/01/2025
O paraguaio Lucas Cantero, 16, passeou incrédulo pelos corredores do luxuoso palácio Lancaster House, em Londres, com seu tambor, feito de materiais reciclados de um aterro sanitário em Assunção.
Há dois anos, ele não sabia nada sobre música e, na noite deste domingo (26), estava prestes a se apresentar com a orquestra paraguaia da qual faz parte, neste edifício do século 19, usado pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido para eventos importantes, e a apenas cerca de 300 metros do Palácio de Buckingham. O grupo do país latino-americano utiliza instrumentos criados a partir de resíduos descartados.
"Nunca imaginei que a música pudesse sair de pedaços de madeira e raios-X", disse à AFP o adolescente, membro da Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura, área onde está localizado o principal aterro sanitário da capital paraguaia.
Latas de combustível ou de tinta, caixas de frutas, canos de água e outros resíduos dão forma a violinos, violões, flautas e outros instrumentos criados em Cateura.
"Criar uma banda com estes instrumentos reciclados chamou a atenção de muitas pessoas, não só pelos instrumentos, mas também pelo talento destes jovens em transformar lixo em música", afirmou diretor da orquestra, Favio Chávez, 49.
O grupo é formado por jovens de famílias pobres da região e foi convidado pela embaixada de seu país no Reino Unido para tocar em Londres para mais de 200 diplomatas, parlamentares, empresários e outros convidados.
Com um repertório que vai de Mozart e Beatles a Frank Sinatra e Coldplay, Chávez e os músicos, do projeto nascido em 2007, já tocaram em 50 países.
O diretor da orquestra, técnico ambiental e músico, foi trabalhar no aterro há 18 anos para processar o lixo para reciclagem e começou a ensinar as crianças da comunidade no local. A ideia era atrair crianças em situações difíceis no bairro perigoso.
Chávez não imaginava que com essas bases nasceria a peculiar orquestra de 60 pessoas.
"Começamos a fazer instrumentos simples e didáticos, não pensávamos que seriam para concertos. No processo, criamos uma orquestra e estabelecemos uma escola de música", explica.
"Meu contrabaixo é feito de um tambor de óleo, parte de uma cama velha e uma escova para sapatos", contou Willian Wilson López, músico da orquestra e que faz todos os instrumentos de corda.
Em 2014, o americano Graham Townsley fez um documentário sobre a orquestra chamado "Landfill Harmonic" (harmônica do aterro sanitário), que gerou visibilidade e fez com que bandas como Megadeth e Metallica pedissem para tocar com eles.
"Temos cerca de 450 crianças na escola de música que podem participar da orquestra", disse Chávez.
O diretor da orquestra explica que a renda vem dos concertos. Parte dela é investida na comunidade do aterro sanitário e nas crianças que frequentam a orquestra.
"Elas recebem ajuda com educação, bolsas de estudo e assistência médica. Também criamos uma escola de música. Os recursos gerados pela orquestra vão para essas áreas de apoio à comunidade", explicou.
Fonte: Folha de S. Paulo
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