
06/02/2025
A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, respondendo por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, o que contribui significativamente para a crise climática. Diante desse cenário, o setor tem adotado práticas mais conscientes e investido em soluções sustentáveis.
Um estudo da Kings Research apontou que tecidos orgânicos, reciclados e naturais, representaram 40,89% das receitas do setor em 2023, refletindo a crescente demanda dos consumidores por opções ecológicas. Para impulsionar essa tendência, startups de biotecnologia estão trazendo inovações que unem tecnologia e responsabilidade ambiental.
Entre essas inovações, destaca-se o biotecido, feito a partir do micélio, a parte vegetativa do fungo. Esse material surge como uma alternativa ao couro animal e sintético, diferenciando-se dos tecidos tradicionais por seus impactos positivos ao meio ambiente. Além de ser biodegradável e contribuir para a reciclagem de materiais orgânicos, pode ser cultivado rapidamente e adaptado para diversas aplicações têxteis, reduzindo a necessidade de elementos sintéticos.
“O biotecido de micélio não é apenas uma alternativa ecológica ao couro, mas um avanço na forma como enxergamos a produção de moda. Isso porque utilizamos resíduos agroindustriais e eliminamos a necessidade de químicos pesados, reduzindo significativamente os impactos ambientais e promovendo uma economia mais circular, além de proporcionar um futuro mais sustentável”, explica Antonio Carlos de Francisco, CEO da Muush, startup brasileira de biotecnologia.
A produção de moda consome excessivos recursos naturais e gera grandes quantidades de resíduos têxteis, muitos deles feitos de fibras sintéticas, cuja decomposição pode levar de 100 a 300 anos, contaminando o solo e a água. O carbono (CO2) é o principal poluente emitido pelo setor.
Em comparação com o couro bovino, o biotecido apresenta uma pegada hídrica significativamente menor, utilizando 99,8% menos água (31 litros por metro quadrado) e emitindo 341% menos CO2. Além disso, o material é altamente versátil, podendo ser moldado para imitar a textura e a resistência do couro, tornando-se uma opção viável para calçados, roupas e acessórios.
“Não podemos mais esperar, a crise climática já é uma realidade. Por isso, transformamos desafios ambientais em oportunidades. Com opções que equilibram inovação, estética e sustentabilidade, mostramos que é possível alinhar propósito e lucratividade, rumo a um futuro mais verde e consciente para o mercado global”, reforça o CEO da Muush.
A conscientização ambiental tem impulsionado a demanda por materiais, produtos e processos mais sustentáveis. Uma pesquisa do IBM Institute for Business Value, realizada em 2024, revelou que 62% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis. Esse comportamento influencia diretamente a indústria da moda e a economia do país.
O CEO da Muush destaca o crescente interesse pelo biotecido: “Temos observado um aumento de contato de interessados em nosso material e um dos principais motivos são os atributos fortes à sustentabilidade, economia e bioeconomia circular que ele tem”. Além disso, muitos consumidores estão em busca de produtos feitos com materiais o mais naturais possível.
A sustentabilidade também pode aumentar a lucratividade do setor da moda ao incentivar o uso de materiais com menor consumo de água e energia. Isso inclui a adoção de insumos provenientes de resíduos orgânicos e materiais reciclados. Essas práticas garantem a eliminação da exploração de mão de obra e incorporam conceitos essenciais da economia moderna, como a economia circular e a bioeconomia circular, abrindo caminho para inovações sustentáveis.
“Acredito que os princípios da sustentabilidade estarão cada vez mais integrados à moda e a todos os setores da sociedade, impulsionando mercados emergentes e criando oportunidades únicas para empresas pioneiras que se posicionem estrategicamente com um portfólio de produtos alinhado às demandas do setor”, afirma Antônio Carlos.
A Muush publica relatórios anuais de sustentabilidade, detalhando aspectos cruciais do seu modelo de negócio. Esses relatórios permitem que empresas da sua cadeia possam rastrear informações estratégicas para gestão organizacional, fortalecendo parcerias que aprimorem a governança e mitiguem riscos regulatórios e de compliance.
O biotecido se destaca como uma das soluções mais promissoras para a transição ecológica do setor da moda, provando que é possível aliar sustentabilidade e inovação para transformar o futuro da indústria.
Fonte: CicloVivo
Planta rara reaparece no Rio após mais de um século e surpreende cientistas; saiba qual é
31/03/2026
Projeto reúne especialistas no Rio para formular agenda ambiental voltada a candidatos
31/03/2026
Estação móvel paga por recicláveis em bairros de SP
31/03/2026
Imagens de satélite mostram antes e depois das algas que deixam o rio Tietê verde no interior de SP
31/03/2026
Florianópolis é a única cidade brasileira eleita pela ONU entre as que mais avançaram no combate ao desperdício de lixo
31/03/2026
De carbono à biodiversidade: entenda o novo ´mercado verde´ que usa onça-pintada para gerar crédito ambiental
31/03/2026
