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Por que Barcelona luta contra a seca após ser atingida por intensas inundações

13/02/2025

O Parc de Joan Miró se estende por quatro quarteirões no final do distrito de Eixample, em Barcelona, na Espanha.
É uma grande praça seca, marcada por palmeiras, bougainvilles com flores cor-de-rosa e um alto pilar com cores brilhantes, chamado Dona i Ocell ("mulher e pássaro"), projetado pelo famoso artista catalão (1893-1983).
Depois de vários anos de seca, o parque está mais cheio de poeira do que nunca. Suas fontes rasas secaram e a prefeitura da cidade chegou a derrubar palmeiras murchas antes que elas caíssem.
No leste da região espanhola da Catalunha, o período de 2021 a 2023 foi marcado por uma das piores secas da história.
Mas, em certos momentos do inverno de 2024, uma enorme cisterna com 17 metros de profundidade abaixo do parque ficou repleta de água da chuva. São os dois extremos enfrentados da cidade, que pode receber água demais, mas ainda não o suficiente.
"Sofremos esta forte seca e, ao mesmo tempo, os resultados da chuva extrema", declarou Marc Prohom, chefe de climatologia do Serviço Meteorológico da Catalunha.
Depois de três anos de tempo seco, as autoridades catalãs declararam estado de emergência devido à seca no início de 2024, que se estendeu por vários meses. E, no início de 2025, as baixas reservas de água deixaram a cidade e a maior parte da sua área vizinha em estado de alerta de seca.
O fornecimento para residências ficou restrito a 200 litros de água por dia, o que é menos que uma banheira comum. O uso de água da torneira para regar jardins, encher piscinas e lavar carros foi proibido e sujeito a multas. Centenas de chuveiros públicos, espalhados pelas praias da cidade, foram desligados.
O nível dos reservatórios caiu tanto que eles foram totalmente esvaziados. As autoridades começaram a armazenar água em menos tanques porque os baixos níveis poderiam aumentar a toxicidade da água com a chegada do verão.
As chuvas intensas do último outono no hemisfério norte causaram enchentes em Barcelona, além de danos devastadores e perda de vidas em Valência, também na Espanha. Mas elas não foram suficientes para reduzir os efeitos da seca.
O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas da Espanha prevê aumento da intensidade e da frequência das tempestades, mas sua influência para recarregar os aquíferos será pequena.
A Espanha tem longo histórico de enchentes repentinas. Grande parte do total das chuvas da Catalunha cai na forma de intensas tempestades, concentradas no final do verão. Uma única tempestade pode facilmente fornecer a chuva de vários meses em poucas horas.
A intensidade das chuvas da região se deve a um fenômeno meteorológico local chamado de golpe frio, hoje também conhecido pelo nome mais preciso de Depressão Isolada em Níveis Altos (Dana, na sigla em espanhol).
Basicamente, o ar quente e úmido que se eleva do mar Mediterrâneo encontra uma massa de ar frio estagnado em grandes altitudes, o que causa a rápida precipitação de enormes volumes de chuva. E o aumento da temperatura dos mares deve aumentar a frequência e a intensidade dessas tempestades.
As cheias que atingiram Valência no final de outubro deixaram mais de 200 mortos. Elas foram causadas por um episódio de Dana que fez cair um ano inteiro de chuva em apenas poucas horas. E estes eventos estão ficando mais graves.
"A quantidade de precipitação que pode ser relacionada a este tipo de episódio extremo aumentou", explica Prohom. "Estamos enfrentando um novo desafio. Parece que as mudanças climáticas estão agindo com mais rapidez do que o esperado."
Atualmente, os meteorologistas podem oferecer avisos sobre os eventos de Dana com vários dias de antecedência. Mas é mais difícil saber exatamente onde e quando a chuva irá cair.
Quando a chuva cai, a água, muitas vezes, não tem tempo de se infiltrar no solo. Lisas e férteis, as planícies de inundação formam um terreno atraente para o desenvolvimento urbano e para a agricultura.
O crescimento urbano gera superfícies impermeáveis, de concreto e asfalto, que evitam a infiltração da água no solo. Os bueiros, galerias e barragens construídos para reduzir o risco local de cheias simplesmente transferem o problema de lugar, aumentando sua intensidade. E as mudanças das terras agrícolas também prejudicam a capacidade de retenção da água no solo.

A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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