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Por que certas espécies vegetais não retornam ao ambiente mesmo após o reflorestamento

18/02/2025

A restauração ecológica é uma atividade fundamental em tempos de crise climática e desmatamento. Mas ela, sozinha, não é capaz de devolver toda a biodiversidade de uma área degradada.
Essa constatação é relativamente nova, e podemos começar a explicá-la com um exemplo bem documentado cientificamente: em um reflorestamento iniciado em 2001 numa área onde originalmente havia mata atlântica, no norte do Paraná, foram plantadas mudas de 45 espécies de árvores nativas. E no ano passado, 23 anos depois, encontramos no local 35 outras espécies de árvores, que colonizaram a área de forma espontânea, sem qualquer influência do reflorestamento.
Levantamentos mostram que a diversidade de árvores naquela região de mata atlântica do norte do Paraná ultrapassa 300 espécies. E, num pequeno fragmento de mata atlântica, mesmo degradado como o objeto do estudo acima, a biodiversidade local é capaz de oferecer mais de 100 espécies de árvores.
Esses achados científicos relativizam uma ideia até recentemente muito difundida entre cientistas e restauradores de que, se recriamos a estrutura de uma vegetação, as espécies que não conseguimos manipular brotarão espontaneamente. Definitivamente, isso não acontece com todas as espécies.
Se um vegetal preenche todos os requisitos para chegar e crescer, mas não surge no ecossistema em restauração, ele pode fazer parte do que chamamos de "diversidade escura", ou seja, a chamada "matéria escura" da biodiversidade. A expressão vem do inglês "dark matter", termo consagrado na cosmologia para definir uma forma de matéria que não interage com a matéria comum, nem consigo mesma.
Na biologia, quando criamos um "reflorestamento" ou uma "área restaurada", ambos podem demorar bastante e até mesmo jamais ficarem parecidos com a vegetação "madura" original, aquela sem tantos sinais de atividade humana. Um dos motivos para isso é que algumas espécies não virão se juntar às que foram plantadas, mesmo que estejam ali por perto.
Estas espécies formam a matéria escura da biodiversidade, objeto de nossos estudos: um grupo heterogêneo de organismos que não sabemos ao certo por que estão confinados aos remanescentes de um habitat natural.
A restauração ecológica vem cumprindo diversos papéis ao redor do mundo. A Década da Restauração da ONU (Organização das Nações Unidas), por exemplo, propõe restaurar para combater as mudanças climáticas e prevenir extinções em massa. Técnicas são desenvolvidas por meio de um ramo da ciência ecológica, a Ecologia da Restauração. Nela, como em outros ramos da ecologia, o laboratório dos cientistas se faz em campo, e os projetos de restauração viram um grande experimento.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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