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Lago Vitória, na África, está ficando verde, e há bactérias mortais por trás disso

20/02/2025

O rápido crescimento da população humana e o assentamento em torno de lagos e suas bacias hidrográficas estão levando a altos níveis de nutrientes em lagos em todo o mundo. Isso resulta no crescimento excessivo de algas e plantas aquáticas.
Os lagos, naturais e artificiais, fornecem água, alimentos e habitats para a vida selvagem, além de apoiar as economias locais. No entanto, em todo o mundo, há uma ameaça crescente: bactérias tóxicas que tornam a água verde.
Esse é o mesmo verde que você vê em lagos estagnados. Ele é causado por organismos minúsculos chamados cianobactérias e pode ser mortal.
As cianobactérias se desenvolvem em lagos e lagoas quentes e ensolarados que contêm excesso de nutrientes de nitrogênio e fósforo derivados de fertilizantes, esterco e esgoto. Quando as condições são favoráveis, as cianobactérias se multiplicam rapidamente e formam espumas verdes e malcheirosas na superfície da água.
Conhecidas pela ciência como cyanoHABs ("cyanobacterial harmful algal blooms"), as espumas são prejudiciais para o gado, a vida selvagem, os animais de estimação, as pessoas e os organismos aquáticos, como os peixes. As toxinas tornam a água não tratada insegura para beber, nadar ou até mesmo tocar.
Às vezes, elas podem ficar suspensas no ar e ser inaladas. As cianoHABs também prejudicam os ecossistemas ao esgotar o oxigênio, matando tudo o que vive na água e perturbando as cadeias alimentares e a pesca.
As cyanoHABs são uma ameaça global e recebem considerável atenção científica na América do Norte e Europa. As florações estão se tornando mais difundidas em todo o mundo porque o aumento das temperaturas promove o crescimento de cianobactérias e as chuvas mais intensas fornecem nutrientes da paisagem. Somente o gerenciamento eficaz dos nutrientes pode reverter essa tendência.
O problema é pouco estudado nos principais lagos da África, inclusive no maior deles, o lago Vitória. Pesquisas anteriores sobre cianobactérias utilizaram principalmente a microscopia para estudar os tipos encontrados, mas a microscopia não consegue diferenciar entre células cianobacterianas tóxicas e não tóxicas.
Fazemos parte de uma grande equipe de projeto de cientistas que vem estudando os efeitos socioeconômicos e ambientais das cianobactérias na região do Golfo de Winam, no lago Vitória, no sudoeste do Quênia.
Nosso último estudo identificou quais cianobactérias eram as mais abundantes no golfo e quais produziam a principal toxina de interesse.

Termine de ler esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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