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Novo estudo afirma que circulação do oceano Atlântico vai enfraquecer, mas não terá colapso neste século

27/02/2025

O padrão de circulação das águas do Oceano Atlântico, responsável por regular boa parte do clima do planeta, NÃO deve entrar em colapso neste século, de acordo com um novo estudo conduzido por pequisadores da Inglaterra.
Em 2023, um estudo publicado na revista científica "Nature" apontava que a circulação do Atlântico Norte, a AMOC (sigla para inglês Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico) entraria em colapso em algum momento entre os anos de 2025 e 2095 por causa da mudança climática.
Agora, cientistas do Met Office, o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, junto com pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglatera, apontam que é improvável o colapso da AMOC, mas ainda sinalizam que ela deve enfraquecer por causa do aumento da temperatura global.
Enquanto o estudo dinamarquês alertava para um cenário bastante pessimista por causa das consequências catastróficas do colapso, o novo artigo sugere que o grande sistema de correntes oceânicas do Atlântico Norte deve resistir às pressões do aquecimento global e ao aumento da entrada de água doce nessa região do segundo maior oceano em extensão da Terra.
Segundo os pesquisadores, o enfraquecimento do sistema será impulsionado, principalmente, pelos ventos sobre o Oceano Antártico e pode, claro, trazer efeitos adversos em todo mundo.
"Embora nosso estudo indique que um colapso nos próximos 75 anos seja improvável, a AMOC deve enfraquecer, o que trará desafios climáticos para a Europa e outras regiões", alertou Jonathan Baker, cientista do Met Office e autor principal do estudo.
🌊 Mas por que isso é importante? A AMOC é uma parte vital do movimento das águas oceânicas, fenômeno que tem um impacto importante na distribuição do calor pelo nosso planeta. Tecnicamente, esse conceito é chamado de circulação termohalina.
Como cerca de 90% do calor global está armazenado nos oceanos, as mudanças nessas correntes influenciam o clima em diversas regiões do globo.
O debate sobre o futuro da AMOC ganhou força em 2023, quando o estudo de Copenhague estimou que o colapso poderia ocorrer entre 2025 e 2095, com 95% de confiança.
Na época, a pesquisa gerou ampla repercussão e foi recebida com cautela por especialistas, devido ao uso exclusivo de dados de temperatura da superfície do oceano, sem incluir informações da coluna d´água.
Outro ponto levantado no debate foi a limitação dos dados históricos disponíveis para análise. Karina Bruno Lima, doutoranda em Climatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), destacou que as medições diretas da AMOC existem apenas desde 2004, tornando essencial a reconstrução de séries históricas para compreender sua evolução.
Já esse novo estudo reforça a ideia de que, embora o colapso completo seja improvável em um futuro próximo, a circulação já está em processo de enfraquecimento.
"Este estudo traz novas informações importantes sobre o futuro da AMOC. Ele mostra que alguns aspectos podem ser mais resilientes às mudanças climáticas do que sugerido por pesquisas anteriores. No entanto, isso não altera nossa expectativa de que a AMOC enfraquecerá ao longo do século XXI, com impactos relevantes no clima", afirmou Rowan Sutton, diretor do Met Office Hadley Centre.
Além disso, na nova análise, os pesquisadores identificaram um fenômeno emergente em cenários extremos de mudança climática: a Circulação Meridional do Pacífico (PMOC), que envolve afundamento de águas no oceano Pacífico.
No entanto, segundo Baker isso não é algo forte o suficiente para compensar completamente a ressurgência impulsionada pelos ventos no Oceano Antártico.
"Portanto, algum nível de afundamento na região do Atlântico Norte deve ser mantido, impedindo um colapso total da AMOC", acrescentou o especialista.

Fonte: g1

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