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Degelo pode esverdear e transformar partes da Antártida em zonas de absorção de carbono

25/03/2025

A crise do clima transformará algumas áreas da Antártida em zonas de absorção de carbono —os chamados sumidouros de carbono. A ideia parece contraintuitiva e até positiva, dado o que sabemos sobre emissões relacionadas a degelo mundo afora. Mas a descoberta deve ser vista com cautela, considerando que não se trata de algo que deva mudar o jogo —o qual estamos perdendo feio.
O achado, feito por pesquisadores brasileiros e publicado em fevereiro na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, é mais uma peça para o quebra-cabeça mundial da crise climática.
A pesquisa buscou estimar os estoques de carbono orgânico no solo numa faixa de 0 a 30 cm, sob três diferentes potenciais futuros climáticos. A ideia era também avaliar se as áreas sem gelo na região seriam fontes ou sumidouros de carbono.
Um dos autores da pesquisa é taxativo ao afirmar que não se deve tirar de proporção o que foi encontrado. "A Antártida, ao que parece, vai se tornar realmente verde com o passar do tempo e com o aquecimento global. Mas esse verde antártico não vai compensar a perda da gigantesca área verde do mundo e a sua conversão [por desmatamento]", diz Carlos Schaefer, pesquisador da UFV (Universidade Federal de Viçosa).
O "se tornar verde" citado pelo pesquisador significa que partes do continente serão povoados por plantas, um processo que, na verdade, já pode ser visto hoje mesmo. É essa nova população vegetal que fará a conhecida captura de carbono para a realização de fotossíntese e produção de biomassa.
De acordo com a pesquisa, líquenes e musgos têm um papel significativo na questão do carbono na Antártida. São organismos que se decompõem muito lentamente, devido às temperaturas baixas, e, por isso, contribuem para a acumulação de carbono no solo.
Por falar em decomposição, ela costuma ser um dos problemas ao pensarmos em áreas que estão descongelando, pois se trata de um processo que resulta em emissão de gases de efeito estufa. Os dados da pesquisa sugerem, porém, que, no caso antártico, o sequestro de carbono pelas plantas é maior do que as emissões derivadas da decomposição.
Ao se falar em derretimento de geleiras e emissões derivadas, é comum a menção às emissões derivadas do Ártico. Qual a diferença entre os polos, então?
Schaefer afirma que quase 18% dos solos do mundo são permafrost —resumidamente, solo congelado—, com uma fatia massiva dessa fatia concentrada no Ártico. Há, então, uma considerável quantidade de matéria orgânica congelada por lá, que com o descongelamento acaba sofrendo decomposição.
Na região ártica, há também grande quantidade de metano congelado no solo, um gás estufa ainda mais potente do que o gás carbônico.
"Foi congelado durante milhares de anos e estava lá quietinho", diz o pesquisador. Até que chegou a crise climática para liberá-lo. "Consequentemente, a Antártida é completamente uma antítese ao Ártico. É uma antítese geográfica, é uma antítese pedológica [referente ao solo] e é uma antítese ecológica."

Continue lendo esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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