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Refúgio climático: solução ou paliativo para calor extremo?

25/03/2025

Abordagens baseadas na natureza ganham espaço nas cidades, como meio de enfrentar o aquecimento global. Especialistas alertam para urgência de ações estatais efetivas e educação da população. Diante das altas temperaturas que persistem em todo o Brasil, algumas cidades têm desenvolvido medidas para amenizar os efeitos do calor. Foi o caso de um refúgio climático, criado em 2024 no centro de Belo Horizonte pela prefeitura local.
O projeto foi inspirado nos assim chamados cooling places (locais para se refrescar): espaços comuns em cidades pelo mundo que funcionam como ilhas de frescor, como parques, jardins, fontes, piscinas ao ar livre e áreas sombreadas, para abrigar a população contra o calor.
Esses refúgios são também conhecidos como estruturas que oferecem proteção contra os efeitos de desastres, como enchentes, ondas de calor, secas ou tempestades.
"Eles podem ser físicos, como abrigos temporários, ou ambientais, como áreas naturais que ajudam a mitigar o impacto de eventos climáticos", explica Loyde Vieira, professora de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
No caso da capital mineira, uma das principais metas era disponibilizar água potável gratuita para a população em trânsito, principalmente diante das frequentes ondas de calor. Em 14 de março, a cidade registrou a temperatura mais alta do ano, chegando a 34,6°C, registrou a Defesa Civil da cidade. Segundo Maria Consuelita Oliveira, diretora de Qualidade Ambiental da prefeitura de Belo Horizonte, o projeto também foi pensado para estimular a manutenção e o plantio de árvores urbanas.
Junto com a amenização do calor, vêm outros benefícios:
"Esses equipamentos melhoram as condições de subsistência das árvores e viabilizam a biodiversidade na cidade. Diminuem ainda o escoamento superficial da água de chuva, aliviando o sistema de drenagem, possibilitam a disposição de equipamentos de lazer e permanência e promovem o ´embelezamento´ urbano. As árvores também atuam na qualidade do ar, absorvendo poluentes e gás carbônico."
Embora esteja funcionando há alguns meses, o departamento de Qualidade Ambiental ainda não dispõe de um número exato de quantos cidadãos foram beneficiados e como a iniciativa está impactando a população em dias quentes.
"Estudos sobre impactos positivos estão sendo realizados, e o que se pode afirmar é que havia uma demanda reprimida por água gratuita para beber e o bebedouro está sendo usado constantemente."
Os refúgios climáticos podem ter diferentes funções, dependendo da necessidade local. Há estruturas voltadas para enchentes, como parques inundáveis e reservatórios para conter a água das chuvas, e também espaços pensados para enfrentar ondas de calor, tempestades e secas.
"Eles podem ser áreas refrigeradas ou arborizadas que reduzem as temperaturas, além de construções resistentes a ventos fortes e enchentes, muitas vezes, subterrâneas ou protegidas por barreiras naturais ou artificiais. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas residências possuem um porão para que as pessoas possam se refugiar durante a passagem de um furacão", explica Vieira.
Segundo a especialista, há uma distinção entre refúgios climáticos, que são espaços emergenciais para eventos extremos, e os chamados oásis urbanos, áreas verdes planejadas para mitigar os impactos do calor e melhorar o ambiente das cidades. Em algumas cidades brasileiras, as duas funções se sobrepõem. "O que se pode ver em algumas cidades brasileiras são áreas que cumprem um duplo papel: drenagem urbana e arrefecimento térmico, como acontece na conservação de nascentes de água", afirma Loyde Vieira.
Ela cita o exemplo de São Paulo, onde bairros como o Morumbi, uma das áreas mais ricas da cidade, possuem áreas destinadas à retenção da água das chuvas. Já Paraisópolis, localizado na periferia, foi ocupado sobre cursos d´água e registra temperaturas até 12ºC mais altas, além de sofrer mais enchentes e deslizamentos de terra.

Conclua a leitura desta reportagem clicando no g1

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