
27/03/2025
Em um novo estudo, publicado nesta terça-feira, dia 25 de março de 2025, a bioeconomia aparece mais uma vez como caminho para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Publicada pelo WRI Brasil, a análise traz dados do Pará, segundo maior estado do bioma, e mostra que 13 cadeias da bioeconomia poderiam aumentar seu Produto Interno Bruto (PIB) em R$ 816 milhões, elevar em R$ 44 milhões a arrecadação fiscal e gerar 6,6 mil empregos, que movimentariam R$ 135 milhões em massa salarial.
Para que isso aconteça, o investimento necessário gira em torno R$ 720 milhões. De acordo com os dados levantados, para cada R$ 1,00 investido na bioeconomia R$ 1,13 são gerados no PIB, R$ 0,19 em massa salarial e R$ 0,06 em impostos indiretos. A partir da lógica setorial, cada R$ 1,00 investido na produção de matéria-prima da bioeconomia geram-se R$ 1,14; se o investimento for na industrialização de produtos, são retornados R$ 1,27; e finalmente, na comercialização o efeito multiplicador seria de R$ 1,40 por real investido.
Além das projeções positivas, os pesquisadores afirmam que este montante já pode estar a caminho: foram identificados entre R$ 1,7 bilhão e R$ 1,8 bilhão em recursos captados, em negociação ou com potencial de captação para ações climáticas no Pará, sendo aproximadamente R$ 720 milhões direcionáveis à bioeconomia.
“O Pará dispõe de um arcabouço institucional robusto e de instrumentos financeiros que podem potencializar a bioeconomia. A convergência entre o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio-PA), o Plano de Recuperação da Vegetação nativa (PRVN-PA) e o Programa Territórios Sustentáveis (PTS) é essencial para viabilizar esse crescimento”, destaca Rafael Feltran-Barbieri, economista sênior do WRI Brasil.
Para calcular os impactos econômicos dos investimentos em bioeconomia no Pará, os pesquisadores utilizaram uma Matriz de Insumo-Produto específica, que já havia sido empregada na elaboração do relatório sobre a Nova Economia da Amazônia. Ela permite simular os efeitos do aporte de recursos nas cadeias produtivas e na geração de empregos, entre outras funcionalidades.
O estudo Impactos econômicos de investimento em bioeconomia no Pará comprova a capacidade da bioeconomia de fortalecer economias locais sem comprometer os ecossistemas, reforçando que há caminhos concretos para consolidar esse setor como uma alternativa viável ao modelo tradicional de exploração da Amazônia, que muitas vezes gera concentração de renda e degradação ambiental.
A bioeconomia é uma estratégia de desenvolvimento baseada no uso sustentável dos recursos naturais, valorizando a floresta em pé e promovendo cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade. O estudo analisou 13 produtos da bioeconomia, incluindo açaí, castanha-do-pará, borracha de seringueira, mel de abelhas nativas e cupuaçu.
O levantamento também identificou gargalos na infraestrutura logística e na comercialização dos produtos dessas 13 cadeias da bioeconomia, que podem ser superados com investimentos privados e políticas públicas. Ainda falta, por exemplo, um ambiente regulatório adaptado às cadeias produtivas da sociobiodiversidade e os impactos de projetos voltados para exportação, que podem comprometer territórios e comunidades tradicionais.
O estudo destaca ainda que a dinamização da bioeconomia favorece populações indígenas, quilombolas, agricultores familiares e pequenos empreendedores urbanos, grupos que historicamente enfrentam desafios no acesso a oportunidades econômicas.
Segundo os autores do estudo, é necessário avançar em políticas de incentivo, mecanismos de rastreabilidade e acesso ao crédito para pequenos produtores. Além disso, é fundamental que, uma vez definida uma agenda de investimentos para potencializar a bioeconomia da sociobiodiversidade, garantir uma repartição justa de benefícios logrados dessas atividades nos diversos setores onde ela se insere.
Fonte: CicloVivo
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