
03/04/2025
A vegetação natural frequentemente carece de muitas espécies que poderiam estar presentes, mas não estão. Isso ocorre, principalmente, em regiões muito afetadas pela atividade humana.
Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (2) na revista Nature fez um levantamento exaustivo dessa situação em 119 regiões ao redor do mundo. O artigo dá conta daquilo que os especialistas chamam, em inglês, de dark diversity, que, em português, poderia ser denominado "diversidade faltante".
Mais de 200 pesquisadores, membros da colaboração internacional DarkDivNet, participaram do estudo, investigando a presença ou não de plantas em 5.500 locais. A pesquisa foi coordenada pelo professor Meelis Pärtel, do Instituto de Ecologia e Ciências da Terra da Universidade de Tartu, na Estônia. E teve a participação de Alessandra Fidelis e Mariana Dairel, entre outros brasileiros.
"Em cada lugar, pesquisadores locais registraram todas as espécies de plantas e identificaram a diversidade faltante, isto é, as espécies nativas que poderiam viver ali, mas estavam ausentes. Isso nos permitiu compreender o potencial da diversidade vegetal no lugar e também medir o impacto das atividades humanas sobre a vegetação natural", explica Fidelis, professora do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), campus de Rio Claro.
Segundo o estudo, em regiões com pouco impacto humano, os ecossistemas normalmente apresentam mais de um terço das espécies potencialmente adequadas. A ausência dos outros dois terços deve-se a fatores naturais, como a dispersão limitada. Porém, em regiões fortemente impactadas por atividades antrópicas, os ecossistemas contêm apenas uma em cada cinco espécies adequadas.
"Medidas tradicionais de biodiversidade, como simplesmente contar o número de espécies presentes, não detectam esse impacto, pois a variação natural da biodiversidade entre regiões e ecossistemas oculta a verdadeira extensão da influência humana", afirmam os coordenadores do estudo.
O professor Meelis Pärtel conta que a colaboração DarkDivNet começou cerca de sete anos atrás, em 2018.
"Tínhamos introduzido a teoria de dark diversity e desenvolvido métodos para estudá-la, mas, para realizar comparações globais, precisávamos de uma amostragem consistente em muitas regiões. Parecia uma missão impossível, porém, muitos colegas de diferentes continentes se juntaram a nós", afirma.
Apesar das dificuldades decorrentes da pandemia de Covid-19 e das crises econômicas e políticas globais, os dados foram coletados ao longo dos anos, mesmo sem um financiamento central.
Fidelis aderiu ao estudo desde o início, quando uma pequena reunião sobre a DarkDivNet foi realizada em um congresso da International Association for Vegetation Science (IAVS), em Bozeman, Estados Unidos, em 2018.
"A partir disso, vários pesquisadores se juntaram à iniciativa, aplicando a mesma metodologia em diversos locais do mundo. A doutora Mariana Dairel, na época minha orientanda de doutorado, empolgou-se com a ideia e me auxiliou no levantamento dos dados. Resolvemos coletar informações na região de Itirapina, no Estado de São Paulo, onde se localizam as estações Ecológica e Experimental de Itirapina. Nessa região, há tanto vegetação nativa de Cerrado quanto áreas antropizadas, com plantio de pinheiros e eucaliptos", informa a pesquisadora.
E acrescenta: "Sabemos que o impacto humano tem trazido diversas consequências para os ecossistemas, afetando a biodiversidade. Porém, este estudo vai além: mostra como estamos perdendo não somente as espécies que estavam ali antes, mas também as que potencialmente poderiam estar na área, podendo, dessa forma, afetar a regeneração natural".
A reportagem na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
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