
08/04/2025
Um turista americano foi detido pelas autoridades da Índia após viajar para uma área restrita para tentar fazer contato com um povo indígena isolado.
Mykhailo Viktorovych Polyakov, de 24 anos, é acusado de navegar até a Ilha Sentinela do Norte, no Oceano Índico, para fazer contato com o grupo, filmar sua visita e até deixar uma lata de refrigerante na praia.
Em resposta ao caso, a Survival International, organização que defende os direitos dos povos indígenas, declarou que o ato colocou em risco a vida tanto do turista quanto dos sentineleses, descrevendo o caso como "profundamente perturbador".
A organização também alertou que os influenciadores de redes sociais agora representam uma "nova e crescente ameaça" aos povos isolados.
As autoridades dos EUA informaram que estão cientes do caso e "monitorarão de perto a situação".
O chefe de polícia das Ilhas Andaman e Nicobar, H.G.S. Dhaliwal, disse à AFP que o turista americano compareceu a um tribunal local e ficou preso preventivamente por três dias para "mais interrogatórios".
Polyakov supostamente tocou um apito por uma hora na costa da ilha, na tentativa de atrair a atenção dos indígenas.
Ele então desembarcou por cerca de cinco minutos, deixou algumas coisas, coletou amostras e gravou um vídeo.
"Uma análise das imagens da câmera GoPro mostrou-o entrando e desembarcando na restrita Ilha Sentinela do Norte", disse Dhaliwal.
É ilegal que estrangeiros ou outros indígenas se aproximem a menos de 5 km das ilhas, uma regulamentação imposta para proteger o grupo.
Segundo a polícia, Polyakov já havia visitado a região em duas ocasiões anteriores, incluindo uma em um caiaque inflável, antes de ser detido por funcionários de um hotel próximo.
Após sua prisão no início desta semana, o homem disse à polícia que era um "caçador de emoções", informou a imprensa indiana.
A Survival International diz que os sentineleses deixaram claro por muitos anos seu desejo de evitar visitantes e enfatizou que tal contato representa uma ameaça a uma comunidade que não tem imunidade a doenças externas.
Jonathan Mazower, porta-voz da Survival International, disse à BBC temer que as redes sociais aumentem a lista de ameaças às comunidades isoladas.
Reportagens vincularam Polyakov a uma conta do YouTube que apresenta vídeos dele em uma viagem recente ao Afeganistão.
"Há um número crescente de influenciadores hoje em dia que estão tentando fazer esse tipo de coisa para ganhar seguidores", disse Mazower.
"Há um fascínio crescente nas redes sociais por isso."
Leia a reportagem completa clicando na Folha de S. Paulo
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