
10/04/2025
Quando um raio atinge uma árvore nos trópicos, a floresta inteira explode.
"Em seu estado mais extremo, parece que uma bomba explodiu", diz o ecologista florestal Evan Gora, do Instituto Cary de Estudos de Ecossistemas em Millbrook, Nova York, Estados Unidos. Dezenas de árvores ao redor da que foi atingida são eletrocutadas. Então, em questão de meses, um círculo considerável da floresta pode murchar.
De alguma forma, resta um único sobrevivente, e aparentemente mais saudável do que nunca. Um estudo de Gora, publicado no mês passado na revista New Phytologist, revela que algumas das maiores árvores em uma floresta tropical não apenas sobrevivem a raios, elas prosperam.
A floresta tropical no Monumento Natural Barro Colorado, no Panamá, é o lugar perfeito para estudar se algumas árvores são imunes a raios. É lar do Instituto de Pesquisas Tropicais Smithsonian e uma das florestas tropicais mais estudadas do mundo.
Gora partiu para lá a fim de estudar se árvores se beneficiam de alguma forma ao serem atingidas por raios. E, se sim, como isso ajuda a população da espécie a sobreviver em uma escala maior.
Desde o início, ele passou muito tempo escalando árvores, procurando sinais de danos causados por raios. Mas fazer as observações desse modo revelou-se ineficiente. Gora começaria a subir em uma árvore, convencido de que era o tronco atingido, apenas para chegar a 15 metros de altura e perceber que na verdade queria estar na árvore vizinha. Havia, ainda, as abelhas pelo caminho.
"Sua vida inteira é só zumbido", disse ele. "É horrível."
O pesquisador precisava de uma maneira mais eficiente de encontrar as árvores atingidas. Então, ele e seus colaboradores desenvolveram um método para monitorar raios e triangular seus sinais eletromagnéticos. A técnica o levou mais rapidamente à árvore certa, que ele poderia avaliar usando um drone.
De 2014 a 2019, o sistema capturou 94 raios em árvores. Gora e sua equipe visitaram os locais para ver quais espécies haviam sido atingidas. Eles procuravam árvores mortas, bem como pontos onde as folhas são chamuscadas quando o raio salta entre as árvores. A partir daí, a copa morre e a árvore também.
Oitenta e cinco espécies foram atingidas e sete sobreviveram. Uma, porém, destacou-se: a Dipteryx oleifera, uma espécie imponente que foi atingida nove vezes —uma delas foi atingida duas vezes e parecia mais vigorosa.
A D. oleifera tem aproximadamente 30% a mais de altura do que o resto das árvores e uma copa cerca de 50% maior que as outras, quase como se fosse um para-raios arbóreo.
"Parece ter uma arquitetura que é potencialmente selecionada para ser atingida com mais frequência", disse Gora.
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