
15/04/2025
A educação sobre os oceanos passará a fazer parte do currículo escolar no Brasil. Sendo o primeiro país a assumir tal compromisso, a decisão foi oficializada por meio de Protocolo de Intenções. O documento foi assinado em Brasília com a presença de representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O chamado currículo azul será integrado às escolas de todo o país e adaptado às realidades regionais e locais. Segundo a agência da ONU o Brasil assume um protagonismo internacional no tema.
“O lançamento do Currículo Azul não é um ponto de partida, é a consolidação de um processo vivo, coletivo e comprometido com o futuro. É também um gesto de soberania e visão estratégica: um país que compreende a importância do oceano para o clima, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável está mais preparado para enfrentar os desafios do século 21”, disse a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
A assinatura ocorreu durante o Fórum Internacional Currículo Azul, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O evento abordou a formação de cidadãos informados e proativos para lidar com os novos desafios globais, que incluem questões como segurança alimentar, economia azul inclusiva e sustentável, diversidade de conhecimento e desenvolvimento sustentável.
A iniciativa está alinhada à recomendação da diretora-geral da agência, Audrey Azoulay, para que todos os Estados-membros insiram, até este ano, a cultura oceânica nas escolas.
O objetivo é uma visão holística do oceano como regulador climático, fonte essencial de vida e catalisador de soluções sustentáveis. Com o oceano consegue-se erradicar a pobreza, promover saúde, cultura, economia, inovação tecnológica e a justiça ambiental.
O copresidente do grupo de especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, Ronaldo Christofoletti, disse que o currículo azul “nasce da escuta ativa e plural da sociedade brasileira”.
Já o professor da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, ressalta que esse passo dá “vida a um desejo coletivo de formar cidadãos que compreendam a importância do oceano para o Brasil e para a resiliência climática global de um país que sempre foi ligado ao mar.
O evento ocorre durante a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável 2021-2030.
Brasil como referência global em educação oceânica
A ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, explicou que o Ministério tem liderado ações estruturantes em cultura oceânica, como o fortalecimento do Programa Escola Azul, que já mobiliza mais de 100 mil estudantes em todas as regiões do país, a criação de clubes de ciência, a formação de jovens embaixadores do oceano, a expansão internacional da Olimpíada do Oceano, e a articulação de uma rede de universidades comprometidas com a formação de professores.
A encarregada sênior de Programas da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da Unesco, Francesca Santoro, afirmou que “o Brasil é hoje uma referência global em educação oceânica, e que o currículo azul mostra que é possível transformar conhecimento científico em políticas públicas concretas, com a participação de educadores, estudantes e comunidades”.
A cultura oceânica representa uma compreensão abrangente dos marres como elemento fundamental para o clima, a biodiversidade e o desenvolvimento sustentável global.
No Brasil, essa visão ganhou força e o grande marco inicial ocorreu em Santos, São Paulo, que aprovou a Lei Municipal nº 3.935, de 2021, estabelecendo a cultura oceânica como política pública educacional obrigatória em escolas municipais, desde a educação infantil até a de jovens e adultos.
Reconhecendo esse pioneirismo, a Unesco escolheu Santos para sediar um evento internacional sobre cultura oceânica, colocando o Brasil no mapa global dessa importante temática.
Desde então, o movimento ganhou escala nacional: hoje, mais de 100 mil alunos participam ativamente do programa Escola Azul, e 20 municípios e quatro estados brasileiros já integraram formalmente a cultura oceânica em seus currículos escolares, adaptando conteúdos às diferentes realidades locais e regionais.
Fonte: CicloVivo
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