UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Espécie de árvore pode atuar como ´espiã´ contra mineração ilegal de ouro na Amazônia

24/04/2025

Cientistas descobriram que uma espécie de árvore comum na floresta amazônica, a Ficus insipida, tem a capacidade de acumular em seu tronco o mercúrio liberado no ar pela mineração ilegal de ouro na região.
O contaminante expelido na queima do amálgama de ouro e mercúrio —uma prática comum em áreas garimpo ilegal— fica registrado nos anéis de crescimento das árvores.
Segundo os pesquisadores, as plantas poderiam ser usadas como espiãs da mineração clandestina, sendo capazes de indicar onde e até quando a substância poluente foi emitida.
Os resultados do estudo foram publicados em artigo na terça-feira (8) na revista científica Frontiers in Environmental Science.
O mercúrio é um metal naturalmente encontrado no ar, no solo e na água. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a exposição ao elemento químico pode causar sérios problemas de saúde e prejudicar o desenvolvimento de crianças. Os efeitos tóxicos da substância têm manifestações neurológicas, digestivas e imunitárias. O metal também contamina o solo e a água, entrando na cadeia alimentar.
Há um tratado internacional, a Convenção de Minamata, que busca reduzir as emissões e o uso de mercúrio. O documento foi assinado em 2013 e entrou em vigor no Brasil em 2017.
"Recentes estudos mostraram que árvores podem ser biomonitores eficazes de mercúrio em florestas temperadas e boreais, mas ninguém havia examinado isso na amazônia, apesar da alta contaminação causada pelo garimpo", diz Jacqueline Gerson, professora assistente de engenharia biológica e ambiental na Universidade Cornell e autora principal do estudo.
A equipe decidiu investigar três espécies de árvores tropicais conhecidas por desenvolver anéis de crescimento anuais. No entanto, apenas a Ficus insipida apresentou anéis claros o suficiente para o estudo.
No Brasil, a espécie é conhecida pelos nomes quaxinguba, gameleira, apuí, apuizeiro ou figueira-brava. As árvores podem chegar aos 20 metros de altura, têm folhas verdes compridas e produzem um fruto pequeno, redondo e esverdeado.
A pesquisa, realizada em cinco áreas da região de Madre de Dios, na amazônia peruana, mostrou que os níveis de mercúrio nos anéis das árvores foram significativamente mais altos naquelas próximas de zonas de mineração ativa, principalmente após o ano 2000 —período de expansão do garimpo associado à construção da rodovia Interoceânica, também conhecida como estrada do Pacífico, que liga o Brasil ao litoral do Peru.
Além de revelar o histórico de emissões, a técnica pode ajudar na formulação de políticas públicas e estratégias de fiscalização ambiental, como a avaliação do cumprimento da Convenção de Minamata, diz a cientista.
"As árvores poderiam ser usadas para comparar concentrações atmosféricas de mercúrio em diferentes locais e para detectar mudanças ao longo do tempo também", afirma a pesquisadora.
Embora o estudo tenha se concentrado na amazônia peruana, a cientista diz que a abordagem pode ser aplicada em outras regiões tropicais afetadas pelo garimpo, incluindo o Brasil.
"O Brasil poderia usar núcleos de árvores como um mecanismo para rastrear onde as emissões de mercúrio são mais altas, sem a necessidade de equipamentos caros de monitoramento do ar", diz ela. Até o momento, a pesquisadora não mantém colaborações com instituições brasileiras, mas afirma estar aberta a parcerias.

Fonte: Folha de S. Paulo

Novidades

Com a chegada do inverno, jacarés mudam comportamento no Parque Chico Mendes

25/06/2026

A mudança das estações provoca transformações não apenas na paisagem, mas também no comportamento da...

Expedição encontra traços de cocaína, cafeína e agrotóxicos na nascente do Tietê

25/06/2026

Uma expedição pelo rio Tietê encontrou traços de agrotóxicos, cocaína e cafeína já nos arredores da ...

Elefanta Baby é transferida para santuário em MT após ordem da Justiça

25/06/2026

A elefanta asiática Baby chegou no último sábado (20) ao Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada d...

O voo da virada: como o canário símbolo da Seleção superou a extinção

25/06/2026

Durante a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira volta a ser chamada de “Seleção Canarinho” por torcedo...

Copa de 2026 pode ser a mais poluente da história, com 7,8 milhões de toneladas de CO₂

25/06/2026

Uma coisa que quase ninguém está falando é sobre o impacto desta Copa do Mundo para o meio ambiente....

Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais

25/06/2026

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um forte apelo à ação climática duran...