
06/05/2025
Impérios surgiram e caíram, línguas nasceram e foram esquecidas, mas a Gran Abuelo, ou "bisavô", em português, uma árvore chilena de 5.400 anos, resistiu ao tempo. Após milênios, porém, ela e outras árvores de sua espécie agora estão ameaçadas por um projeto que prevê a construção de uma rodovia que cortaria a floresta onde vivem.
Jonathan Barichivich, um cientista ambiental chileno que trabalha na França, cresceu na floresta de clima úmido e temperado que hoje é protegida pelo Parque Nacional Alerce Costero, no sul do Chile. Foi lá que seu avô, Aníbal, descobriu a árvore Gran Abuelo em 1972 enquanto trabalhava como guarda florestal.
Ele conta que aquele momento mudou o curso da história da árvore e de sua família. "Dei meus primeiros passos nesta floresta com meu avô. Ele me ensinou os nomes das plantas an tes mesmo que eu soubesse ler", lembra Barichivich. "As memórias da minha infância são o combustível da minha paixão científica."
Agora, Barichivich e sua mãe, junto com uma equipe de pesquisadores, trabalham para desvendar os segredos armazenados na Gran Abuelo e em outras árvores da região. O objetivo da pesquisa é expandir o conhecimento científico sobre mudanças climáticas e encontrar novas pistas de como combatê-las.
As árvores de alerce desta floresta, uma espécie de conífera também conhecida como cipreste da Patagônia, ou Fitzroya cupressoides, não apenas vivem mais tempo do que a maioria das plantas. Elas também são uma das espécies mais sensíveis às mudanças climáticas no mundo.
Para determinar a idade de uma árvore, cientistas usam uma ferramenta chamada trado para extrair uma amostra do tronco e contar o número de anéis formados ao longo do tempo. Cada anel corresponde a um ano de vida.
No caso da Gran Abuelo, porém, o diâmetro do tronco é muito extenso e a árvore já perdeu parte de seu núcleo, que se deteriorou ao longo do tempo. Com isso, diferente de outras árvores milenares conhecidas, o exemplar chileno precisou contar com um modelo estatístico para projetar o número total de anéis que teria e estimar sua idade.
Por isso, há debate na comunidade científica sobre qual árvore seria a mais antiga —se a conífera chilena ou um pinheiro encontrado nas Montanhas Brancas da Califórnia, nos EUA, cujo núcleo intacto permitiu contabilizar sua idade exata, de quase 4.900 anos.
No entanto, a idade avançada de árvores como a Gran Abuelo permite uma reconstrução não apenas de sua idade, mas também de padrões climáticos que remontam a milhares de anos. Dados deste tipo não são facilmente coletados em outras espécies da região.
"Elas são como enciclopédias", disse Rocio Urrutia, uma cientista chilena que estuda essas árvores há décadas. Sua pesquisa com a Fitzroya ajudou a reconstruir registros de temperatura da terra de até 5.680 anos atrás.
O estudo das árvores desta espécie também permite aos cientistas medirem quanto de carbono a floresta absorve e emite. Quanto mais a árvore cresce, maior será o espaço entre cada anel. E mais crescimento significa mais captura de carbono.
Essas análises são essenciais para entender como as florestas respondem ao aquecimento global. E, mais importante, permitem criar projeções sobre se as florestas serão capazes de continuar a desacelerar o aquecimento do planeta em um futuro mais quente.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Em Laranjeiras, casal de maritacas faz ninho em apartamento e filhotes e acabam sob os cuidados de moradora; vídeo
05/11/2026
VÍDEO: Grupo de golfinhos é visto no mar da Ilha Grande, em Angra dos Reis
05/11/2026
Pesquisa da Ufes encontra peixes com tumores e deformidades 11 anos após desastre de Mariana; VÍDEO
05/11/2026
Brasil lança ´mapas do caminho´ para incentivar os países a diminuírem o desmatamento e o uso dos combustíveis fósseis
05/11/2026
5 regiões de recifes de coral estão em risco crítico no Brasil
05/11/2026
Cinco maneiras que o aumento do nível do mar pode afetar o Reino Unido e outros lugares
05/11/2026
