
27/05/2025
O escritório Guinee*Potin Architects deu uma nova vida ao antigo Centre Beautour, um centro de descoberta da biodiversidade localizado em La Roche-sur-Yon, na região de Vendée, França. O espaço foi transformado no Le Potager Extraordinaire, um parque agroecológico de 1.150 metros quadrados, concebido para imergir os visitantes na biodiversidade através de jardins comestíveis, estufas e áreas de cultivo orgânico. A proposta arquitetônica é marcada por uma abordagem bioclimática, que busca reduzir o impacto ambiental e valorizar os recursos locais.
O projeto foi cuidadosamente desenhado para respeitar os ritmos ecológicos do local e, ao mesmo tempo, proporcionar uma experiência educativa e lúdica. A nova configuração do parque preserva elementos existentes, como a Maison de Georges Durand e sua extensão coberta de palha, e os complementa com novas estruturas inspiradas nas tipologias rurais da região. As edificações erguidas utilizam estrutura de madeira e são revestidas com uma combinação de materiais translúcidos e paineis em tons escuros, reinterpretando a arquitetura vernacular de maneira contemporânea.
Um dos destaques do projeto é a chamada “estufa ecológica”, um volume orientado no eixo norte-sul, que aproveita ao máximo o ganho solar. Sua estrutura combina madeira e isolamento em palha com acabamento em taipa, garantindo eficiência térmica e conforto ambiental. O sistema de ventilação natural é otimizado por aberturas hidráulicas, que permitem uma regulação passiva do ar.
A escolha dos materiais — madeira, palha e terra crua — e o método construtivo “seco” (sem uso de água, com montagem a seco) asseguram um canteiro de obras limpo e a preservação das qualidades ecológicas do sítio. Esses princípios refletem o compromisso do Guinee*Potin Architects com uma arquitetura de baixo impacto, que dialoga diretamente com o meio ambiente.
A intervenção foi pautada pela aplicação rigorosa do método ERC – evitar, reduzir e compensar — uma estratégia que visa minimizar os impactos negativos sobre os ecossistemas. No caso do Le Potager Extraordinaire, o foco foi limitar intervenções pesadas, especialmente em zonas úmidas sensíveis, enquanto ações compensatórias foram realizadas para enriquecer a biodiversidade, como a implantação de plantios de proteção e a restauração do solo.
O parque é concebido como um arquivo vivo da diversidade de plantas comestíveis, com coleções organizadas em jardins temáticos que conduzem os visitantes por diferentes experiências sensoriais e educativas. As visitas podem ser realizadas de forma guiada ou autoguiada, incentivando a descoberta autônoma ou mediada do espaço e de suas riquezas botânicas.
Além das áreas de exposição, o projeto inclui uma fazenda em funcionamento, estufas de mercado e um terreno dedicado à horticultura orgânica, integrando a produção de alimentos à proposta pedagógica do parque.
A relevância do Le Potager Extraordinaire ultrapassa os limites da França. O projeto foi selecionado como um dos 50 representantes franceses na 19ª Bienal de Arquitetura de Veneza, consolidando-se como um exemplo de como recursos locais, intervenções modestas e o conhecimento tradicional podem gerar soluções arquitetônicas sustentáveis e de grande impacto social e ambiental.
O parque se propõe a ser não apenas um espaço de lazer, mas também um laboratório educativo e um modelo de gestão integrada da paisagem, combinando preservação ecológica e experiência sensorial.
Fonte: CicloVivo
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