
27/05/2025
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, o painel de 80 metros pintado em Belém, sede da COP30, vai reforçar e muito a mensagem clara de cientistas contra a queima de combustíveis fósseis e o risco que a exploração de petróleo traz para a floresta amazônica.
Infelizmente, para além das queimadas e do desmatamento, a Petrobras e parte do governo brasileiro insistem em conseguir a aprovação do IBAMA para explorar petróleo na bacia da foz do Amazonas. Na última terça-feira, em votação simbólica, o Senado aprovou a criação de uma Frente Parlamentar em Defesa da Exploração da Margem Equatorial, região que abrange desde o Amapá até o Rio Grande do Norte e é considerada a nova fronteira petrolífera do país.
Para denunciar os riscos que a floresta corre, um potente mural sobre a crise climática e o futuro da Amazônia, ganhou o muro principal da Universidade Federal do Pará (UFPA). Por meio da arte, mais um alerta contundente sobre o impacto da exploração de petróleo na região amazônica, desta vez destacando o protagonismo das populações tradicionais como caminho para soluções sustentáveis.
O mural utiliza técnicas inovadoras e materiais que carregam forte simbolismo. Com o uso de cinzas e carvão coletados de queimadas ocorridas em 2024 na Terra Indígena Anambé, que destruíram 40 mil hectares de floresta, além de argilas das ilhas de Caratateua e Cotijuba e outros elementos naturais da região, Mundano ilustrará o petróleo, o desmatamento e as queimadas como ameaças constantes à floresta.
“Este mural é um grito de alerta e resistência: transforma em arte os detritos de esgoto e obra deixados pela preparação para a COP30. Lama e restos coletados em Vila da Barca denunciam o crime ambiental em curso e expõem o que está em jogo com a exploração de petróleo na foz do Amazonas — uma ameaça à vida e aos territórios da Amazônia”, afirma Mundano, que já realizou intervenções artísticas em mais de 20 países e ficou conhecido por utilizar materiais não convencionais em suas obras.
Os artistas do coletivo Mairi somam seu talento ao mural, com tintas multicoloridas. And Santtos, Cely Felize e Tai retratarão indígenas, quilombolas, ribeirinhos e populações periféricas que vivem em palafitas, com a frase “A solução somos nós”. Parte do mural, que será pintada pela artista indígena Cely Feliz será feita, inclusive, com detritos de esgoto e entulho de obra da COP30 na Vila da Barca.
O contraste com os problemas (petróleo, desmatamento, queimadas) realça a importância da vivência e do conhecimento tradicional das populações locais, explicitando porque essas populações precisam estar no cerne das soluções para a floresta.
“Ao mesmo tempo, este mural afirma que as verdadeiras soluções para a crise climática nascem do protagonismo dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades periféricas. É arte como luta. É artivismo como resposta”, completa Mundano.
A obra ficou pronta nessa sexta-feira, dia 22 de maio, e faz parte das mobilizações que antecedem a COP30, conferência climática da ONU que será realizada em Belém em 2025, e busca ampliar vozes amazônicas no debate sobre justiça climática.
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