
03/06/2025
Uma avalanche de gelo, lama e rochas desabou de uma montanha no sul da Suíça nesta quarta-feira (28) e engoliu cerca de 90% de Blatten, um vilarejo de 300 habitantes que já havia sido esvaziado no início de maio, quando a geleira Birch começou a dar sinais de que iria desmoronar.
A força e a velocidade do desmoronamento foi tamanha que atingiu a montanha situada do outro lado do vilarejo. Nesta quinta, (29), moradores tentavam calcular a escala de devastação enquanto equipes de resgate com cães farejadores vasculhavam a área em busca de um homem de 64 anos que está desaparecido.
Parte da população está em Wiler, um vilarejo vizinho. Ali, é possível ver a estrada que seguia para Blatten terminar abruptamente na massa de lama e detritos que agora cobre a vila. Apenas alguns telhados emergiam do mar de lodo.
Martin Henzen, morador do vilarejo agora encoberto, disse à agência de notícias Reuters que ainda estava tentando processar o que havia ocorrido. "A maioria [dos habitantes] está calma, mas obviamente estão afetados", afirmou. Eles estavam se preparando para algum tipo de desastre natural, continuou, mas "não para este cenário".
Segundo o encarregado da gestão de riscos naturais no cantão, Raphaël Mayoraz, "3 milhões de metros cúbicos de rocha caíram de uma só vez, arrastando tudo". "É muito excepcional, não temos exemplo na história", afirmou.
Cientistas suspeitam que o desastre é mais um exemplo dramático do impacto das mudanças climáticas nos Alpes —isso porque o aumento das temperaturas no permafrost, solo congelado que há muito mantinha no lugar cascalhos e pedregulhos, pode ter sido a causa do colapso, segundo o chefe do Monitoramento de Geleiras na Suíça, Matthias Huss.
"Coisas inesperadas acontecem em lugares que não vimos por centenas de anos, muito provavelmente devido às mudanças climáticas", disse ele à Reuters. Há anos a geleira Birch desce lentamente pela encosta da montanha, pressionada por detritos em movimento perto do cume.
Enquanto o Exército suíço monitora de perto a situação, alguns especialistas alertam sobre os riscos de inundação, já que enormes montes de detritos com quase dois quilômetros de extensão estão obstruindo o curso do rio Lonza, criando um enorme lago em meio aos escombros.
"A água do rio Lonza não pode fluir pelo vale porque há um enorme tampão", disse o geólogo Raphael Mayoraz à emissora nacional suíça, a SRF. "O pior cenário possível é uma inundação."
Até um milhão de metros cúbicos de água estão se acumulando diariamente como resultado dos detritos represando o rio, disse o professor de meio ambiente e clima da Universidade de Zurique, Christian Huggel. Um porta-voz de autoridades locais, Matthias Ebener, disse que alguns residentes de vilas vizinhas foram retirados de suas casas como precaução.
Fonte: Folha de S. Paulo
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