UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Acidez dos oceanos ultrapassa limite de equilíbrio planetário

17/06/2025

A acidificação dos oceanos, um fenômeno causado pelo excesso de absorção de gás carbônico (CO2) da atmosfera, ultrapassou os limites para o equilíbrio planetário em 2020, aponta estudo publicado nesta segunda-feira (9) por pesquisadores do Laboratório Marinho de Plymouth (PML) do Reino Unido.
De acordo com o estudo Acidificação dos oceanos: mais um limite planetário ultrapassado , a informação só foi revelada cinco anos depois, por meio do uso de medições mais modernas e da aplicação de novos modelos computacionais sobre materiais coletados nos últimos 150 anos.
“A gente tem uma informação robusta, sendo produzida por um estudo que tem alcance mundial e revelando uma informação que a gente, infelizmente, não tinha ainda. Apesar das observações e modelos matemáticos, essas informações não tinham integrado ainda o contexto dos limites planetários. E esse foi o grande avanço”, explica Alexander Turra, pesquisador do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IOUSP) e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano.
O conceito de limites planetários foi criado em 2009 por cientistas do Centro de Resiliência de Estocolmo para o acompanhamento de nove fenômenos decorrentes da ação humana, como mudança climática, poluição por produtos químicos, mudança no uso da terra e a acidificação dos oceanos. Desde então, a ciência apontava que seis desses limites haviam sido ultrapassados.
Com a descoberta do novo estudo, a mudança da acidez das águas dos oceanos aumenta essa lista para sete.
“Isso traz para a gente um alarme adicional em relação a essa degradação do oceano. Especialmente porque é um fenômeno silencioso e imperceptível no nosso dia a dia, diferente do lixo no mar, que é muito evidente”, alerta Turra.
Com a absorção da alta concentração de gás carbônico da atmosfera, os oceanos passam por uma redução do potencial hidrogeniônico (pH) e consequente diminuição da concentração de carbonato de cálcio na água, que afeta diretamente a estruturação de esqueletos e o crescimento de vidas marinhas.
“ Isso significa que vai ter menos crescimento de recifes de coral, conchas de moluscos mais frágeis, autólitos [rochas hospedeiras] de peixes menos estruturados, e a gente vai ter, então, organismos que terão uma capacidade de se relacionar com o meio ambiente limitada em função desse comprometimento”, explica o pesquisador.
De acordo com a coordenadora do Laboratório de Oceanografia Química da UERJ, Letícia Cotrim, a acidificação também pode causar mudanças na fisiologia, crescimento e reprodução de espécies, afetando a biodiversidade existente nos oceanos.
O estudo propõe ainda o limiar de 10% para a concentração de carbonato de cálcio abaixo dos níveis pré-industriais como referência para esse limite planetário. A proposta parte da observação do comprometimento de habitats de espécies como moluscos, que dependem de conchas calcificadas para a sobrevivência.
De acordo com os pesquisadores, quando essa fronteira foi ultrapassada em 2020, foi observado o comprometimento de 60% do oceano com profundidade de até 200 metros, e 40% do oceano de superfície de todo o planeta.
“Incluindo uma redução de 43% no habitat dos recifes de coral tropicais e subtropicais, até 61% para os pterópodes polares (borboletas marinhas) e 13% para os bivalves costeiros”, destaca a pesquisa.
Para a pesquisadora o estudo reforça o que cientistas afirmam há décadas. Quanto mais CO2 na atmosfera, mais rápido ultrapassaremos os limites estabelecidos pelo Acordo de Paris. O limite de 1,5ºC de aquecimento global é o considerado gerenciável para evitar perdas maiores de vidas humanas, perdas na produção, problemas mais graves – e caros – com extremos climáticos e com a elevação do nível do mar, destaca.
Para Turra, o Brasil, enquanto um país marítimo e que vai sediar, em novembro, a próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), deve ter um protagonismo central nessa discussão, por meio da implementação de ações efetivas que sirvam como exemplo.
“A gente vai poder fazer uma conexão muito clara entre o oceano e o clima na COP30, a ponto de a gente fortalecer com mais esse argumento a necessidade de reduzir as emissões e de aumentar o sequestro e a estocagem de carbono”, conclui.

Fonte: CicloVivo

Novidades

Filhotes de capivara que chegaram ao BioParque do Rio terão que ser devolvidos à natureza

26/03/2026

O BioParque do Rio bateu bumbo com a chegada de dois filhotes de capivara encontrados em situação de...

Presos por espancar capivara no Rio são os primeiros do país enquadrados no Decreto Cão Orelha; multa imposta é de R$ 20 mil

26/03/2026

Os seis homens presos por agredir com barras de ferro e pedaços de madeira uma capivara na madrugada...

Jeitinho brasileiro: cachorros ganham ‘espaço da fofoca’ em Angra dos Reis; vídeo

26/03/2026

Que cachorro gosta de uma fofoca todo mundo sabe: quem nunca passou na rua e viu algum cachorro só o...

Só 3% dos rios da Mata Atlântica têm qualidade de água boa

26/03/2026

A qualidade da água dos rios da Mata Atlântica continua precária, sem apresentar sinais consistentes...

Ambev plantou 3 milhões de árvores em áreas de estresse hídrico

26/03/2026

No dia 23 de março, um dia depois que o mundo celebra o Dia da Água, a Ambev reuniu parceiros e repr...

COP15: Onça-pintada cruza países sem perceber fronteiras e vira destaque em debate internacional

26/03/2026

A onça-pintada, maior felino das Américas e conhecida por percorrer dezenas de quilômetros em poucos...