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Refluxo das geleiras da Suíça revela novo e estranho fenômeno: buracos que lembram queijo suíço

26/06/2025

A aceleração do derretimento das geleiras suíças tem chamado a atenção de especialistas e preocupa cientistas que monitoram o impacto das mudanças climáticas nos Alpes.
Em visita recente ao Glaciar do Ródano, um dos mais conhecidos da Suíça, o glaciologista Matthias Huss observou o surgimento de grandes buracos no gelo — um fenômeno que, segundo ele, transforma as geleiras em verdadeiros “queijos suíços”.
O Glaciar do Ródano é responsável por alimentar o rio de mesmo nome, que atravessa a Suíça e a França até desaguar no Mediterrâneo. A cena do gelo derretendo e se tornando esburacado é reflexo direto das altas temperaturas e da diminuição das nevascas nos últimos anos.
“A cada ano, os sinais de colapso se tornam mais evidentes”, afirma Huss, que também é professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETHZ) e coordenador do grupo GLAMOS, responsável pelo monitoramento das geleiras no país.
“Estamos vendo uma tendência clara de aceleração no derretimento.”
A fragilidade das geleiras suíças ficou ainda mais evidente no mês passado, quando uma avalanche de lama atingiu o vilarejo alpino de Blatten, no sudoeste do país. A tragédia aconteceu após o colapso da Geleira Birch, que sustentava uma massa de rochas no alto da montanha.
A queda provocou um deslizamento de terra que destruiu parte da vila. Embora o local tenha sido evacuado a tempo, um homem de 64 anos desapareceu e teve seus restos mortais localizados dias depois.
Autoridades suíças apontam que fatores geológicos, somados ao aquecimento global, contribuíram para o desastre.
Segundo Huss, um glaciar saudável é “dinâmico”, ou seja, perde gelo nas áreas mais baixas, mas ganha novas camadas de neve compactada nas partes mais altas. No entanto, o aumento das temperaturas está interrompendo esse equilíbrio natural. Com menos neve e mais calor, a renovação diminui e os glaciares se tornam massas de gelo estáticas — que apenas derretem no local onde estão.
“Essa falta de dinamismo é o que está por trás dos buracos que estão aparecendo”, explica o cientista. “Eles começam pequenos, no interior da geleira, e vão crescendo até que o teto desmorona e eles ficam visíveis na superfície. Isso não era comum até alguns anos atrás. Agora, vemos com frequência.”
O resultado é uma paisagem cada vez mais perfurada e instável.
A redução das geleiras não é um problema isolado da Suíça. Um relatório divulgado nesta semana pela Organização Meteorológica Mundial aponta que 23 de 24 geleiras monitoradas na Ásia Central, incluindo os Himalaias, apresentaram perda significativa de massa em 2024.
Os efeitos também são sentidos em áreas distantes dos glaciares. Segundo Richard Alley, professor de geociências da Universidade Penn State, o derretimento afeta o fornecimento de água potável, a produção agrícola, a pesca e até as fronteiras entre países que compartilham rios alimentados por geleiras.
“Hoje, os glaciares estão sustentando o fluxo de água durante o verão, que é normalmente a estação mais seca”, explicou. “Mas quando desaparecerem, esses fluxos também vão cair — e isso vai causar problemas.”
No caso da Suíça, onde a maior parte da eletricidade vem de usinas hidrelétricas, o derretimento pode comprometer o abastecimento energético.
Durante a visita ao Glaciar do Ródano, Huss utilizou uma técnica tradicional para medir a perda de gelo: perfurou o solo gelado com uma furadeira manual e inseriu estacas metálicas para acompanhar, ao longo dos meses, o quanto o gelo irá derreter.
Em setembro do ano passado, uma das estacas instaladas media cerca de 2,5 metros acima do solo. Agora, está quase toda exposta — um sinal claro do avanço da perda de massa. Em 2022, considerado um dos anos mais quentes, alguns glaciares perderam até 10 metros de gelo verticalmente.
A meta do Acordo de Paris é limitar o aquecimento global a 1,5°C. No entanto, mesmo que essa meta seja atingida, muitos glaciares suíços já estão condenados ao desaparecimento, admite Huss.
“É difícil ver essas geleiras sumindo”, diz. “Algumas das áreas que monitorei por 20 anos simplesmente deixaram de existir nos últimos anos. Onde antes havia gelo brilhante, hoje só há rochas quebradiças.”
Apesar da tristeza, o cientista também vê um aspecto positivo: “É um momento fascinante como pesquisador, testemunhar essas mudanças tão rápidas. Mas seria melhor que elas não estivessem acontecendo.”

Fonte: g1

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