
01/07/2025
Uma nova pesquisa da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, confirmou a presença regular de tubarões e raias em parques eólicos offshore holandeses. A equipe identificou esses elasmobrânquios por meio da análise de DNA ambiental (eDNA) encontrado nas águas ao redor dessas estruturas.
Foram coletadas 436 amostras de água do mar, analisadas com base em traços de DNA — uma abordagem que os cientistas consideram acessível, não invasiva e mais ética para a vida marinha. Em vez de capturar os animais, o método permite detectá-los pela “assinatura genética” deixada na água.
“É como encontrar uma impressão digital na água”, explicou Annemiek Hermans, doutoranda envolvida no estudo. “Mesmo que você não veja o tubarão, o DNA indica que ele esteve lá.”
Os resultados fazem parte do projeto ElasmoPower, da própria universidade, e revelaram a presença de cinco espécies de tubarões e raias em quatro parques eólicos offshore: Borssele, Hollandse Kust Zuid, Luchterduinen e Gemini. A raia-espinhosa (Raja clavata) foi a espécie mais comum, com presença durante o ano todo em três dos parques.
Os pesquisadores também detectaram DNA de tubarões-frade (Cetorhinus maximus) nas águas do parque Hollandse Kust Zuid durante o inverno — um achado importante, já que a rota migratória de inverno dessa espécie nas águas holandesas ainda era desconhecida, conforme relatado pelo Earth.com.
Outras espécies identificadas incluem o cão-de-bico-fino-estrelado (Mustelus asterias) e a raia-loira (Raja brachyura), ambas detectadas em vários parques e ao longo de diferentes estações do ano. “Estamos tentando entender se esses animais estão realmente usando os parques eólicos como habitat ou se estão sendo deslocados por eles”, disse Hermans.
Os cientistas destacam que os parques eólicos podem estar se tornando áreas atrativas para tubarões e raias porque a pesca de arrasto é proibida nessas zonas, além de haver restrições à pesca e ao tráfego marítimo. Isso pode criar ambientes mais seguros para a vida marinha. A ausência de distúrbios no fundo do mar também favorece a recuperação de peixes menores e outras espécies, o que contribui para o aumento da disponibilidade de alimento.
A pesquisa, publicada na revista Ocean & Coastal Management, indica que mais estudos são necessários para avaliar se esses animais estão de fato adotando os parques eólicos como habitats seguros e de que maneira essas estruturas impactam os demais ecossistemas marinhos. Os autores ressaltam ainda a importância de manter a proibição de atividades que perturbem o fundo do mar, como forma de proteger os ecossistemas locais.
“Precisamos agir com cautela”, alertou Hermans. “Se começarmos a permitir a pesca de arrasto de fundo nessas áreas, corremos o risco de perder a proteção que essas zonas podem oferecer.”
Fonte: CicloVivo
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