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Resíduos de alimentos que viram biocombustível e ração

22/07/2025

Uma pesquisa da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul, apresenta uma proposta inovadora para enfrentar um dos principais desafios globais: o desperdício de alimentos. O estudo explora maneiras de reaproveitar resíduos alimentares na produção de bioetanol — um biocombustível renovável — e de ração animal, contribuindo tanto para a sustentabilidade ambiental quanto para a economia circular.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mais de 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas anualmente, o que equivale a cerca de 17% de todo o alimento disponível para consumo no mundo. Esse desperdício impacta diretamente a emissão de gases de efeito estufa, além de gerar poluição do solo e dos lençóis freáticos, afetando também a segurança alimentar global.
Os alimentos mais descartados em todo o planeta são frutas, vegetais e produtos de panificação, como pães, biscoitos e massas. “É dentro desse cenário que surge a bioeconomia circular, um conceito que propõe reduzir, reutilizar e reciclar, utilizando os resíduos como matéria-prima para novos produtos”, explica Luciane Colla, professora da UPF e doutora em Engenharia e Ciência de Alimentos, coordenadora do estudo.
A pesquisa avaliou dez tipos de resíduos: banana, mamão, maçã, batata inglesa, batata Asterix, batata-doce, pão, macarrão, biscoito de milho e batata pré-frita. Essas misturas foram processadas com técnicas de hidrólise e fermentação para a produção de bioetanol.
“O processo envolveu o pré-tratamento dos resíduos com técnicas de gelatinização e, em alguns casos, o uso combinado com ultrassom, além da aplicação de enzimas para quebrar os carboidratos. Isso favorece a conversão eficiente em bioetanol”, detalha a professora Luciane Colla.
O bioetanol obtido pode ser utilizado como combustível renovável, substituindo parcialmente os combustíveis fósseis, e também como matéria-prima nas indústrias química, farmacêutica e alimentícia.
Outro avanço importante da pesquisa foi a conversão dos resíduos pós-fermentação em ingredientes para ração animal. “Os resíduos hidrolisados apresentaram altos teores de carboidratos, proteínas e compostos bioativos, o que os torna uma alternativa viável e nutritiva para a alimentação animal”, destaca a pesquisadora.
As melhores eficiências no processo de hidrólise foram alcançadas com misturas que incluíam batatas e alimentos processados, o que reforça a viabilidade econômica e ambiental da proposta.
A pesquisa também ressalta a necessidade de uma logística estruturada para a coleta de resíduos em supermercados, mercados e centros de distribuição. A ideia é que esses resíduos, em vez de descartados, sejam integrados a processos produtivos dentro dos princípios das biorrefinarias e da bioeconomia circular.
“Consolidar esse modelo é fundamental para promover a sustentabilidade e agregar valor aos resíduos, transformando um problema ambiental em oportunidade econômica”, afirma Luciane.
O estudo contribui diretamente para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 7 da ONU, que visa garantir o acesso à energia limpa, acessível, sustentável e moderna, além de incentivar práticas sustentáveis nas cadeias produtivas.

Fonte: CicloVivo

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