
12/08/2025
Os turistas aproveitam os Andes durante o inverno no Chile, mas a diminuição contínua da camada de neve devido à mudança climática está obrigando as estações de esqui a se adaptarem.
"Os Andes são uma das regiões que mais rapidamente está perdendo neve no mundo, por uma combinação de redução de precipitação e aumento da temperatura", explica à AFP o climatologista da Universidade de Santiago Raúl Cordero.
Localizado 450 km ao sul de Santiago, Nevados de Chillán é uma das principais estações de esqui do Chile. Este ano, abriu suas pistas antecipadamente após uma grande nevasca em meados de junho.
Chilenos, argentinos, europeus e brasileiros aproveitam para esquiar em uma floresta nativa —com carvalhos, coigues e raulís— nas pistas mais extensas da América do Sul.
"Parece que estamos em um filme", diz o empresário brasileiro Oscar Daniel, 43, que visita o local pela segunda vez, acompanhado da família. Prefere Chillán às estações de Santiago ou da Argentina pela tranquilidade e, sobretudo, pela paisagem que, em 2011, foi declarada reserva mundial da biosfera pela Unesco.
Mas desde junho não voltou a nevar com intensidade, embora isso ainda não afete as pistas nem preocupe os turistas.
"Em 40 anos sempre vi assim: alguns anos com muita neve; outros com um pouco menos", diz o engenheiro chileno José Miguel Ballivian, 61.
Nevados de Chillán recebe 500 mil turistas por ano. Conta com 20 pistas, banhos termais e 10 mil hectares. Em 2024, como todos as estações de esqui chilenas, viveu sua melhor temporada em uma década, com abundante queda de neve devido às fortes precipitações causadas pelo fenômeno El Niño.
Mas neste ano, segundo o Observatório Climático da Universidade San Sebastián, a quantidade de neve nos Andes chilenos é a metade da registrada em 2024, por conta de "menores precipitações e temperaturas mais altas que o habitual".
"A combinação de calor e menos precipitação explica por que estamos perdendo neve nos Andes na velocidade em que estamos perdendo", explica Cordero. Segundo suas pesquisas, o ritmo de redução da camada de neve chega a 10% por década.
A neve também vai ficar confinada às altitudes mais elevadas. Juan Pablo Boisier, do Centro de Ciência do Clima e Resiliência, afirma que a linha da neve está subindo, em média, 100 metros a cada 10 anos.
Os Andes representam uma porção muito pequena no mercado de esqui, mas a adaptação já começou.
Em Nevados de Chillán, foram implementados alguns canhões que geram neve artificial para manter algumas pistas, sobretudo nas áreas mais baixas. Esse recurso também é amplamente utilizado nos Alpes.
No verão, as pistas de esqui se transformam em trilhas para bicicletas. O local será sede, em março de 2026, do Campeonato Mundial Sênior de Mountain Bike.
Mais ao sul, a estação de esqui Corralco utiliza o "snow farming": armazenam neve e a compactam com máquinas em locais frios para depois espalhá-la. Com esse método, não foi necessário o uso de canhões de neve.
No entanto, as estações de esqui de Santiago são as mais expostas ao aumento da temperatura. Farellones, a de menor altitude, reconverteu suas operações para um "centro de montanhas" e já quase não se praticam mais esportes de inverno ali.
Termine de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo
PF desarticula quadrilha de tráfico de ovos de papagaios em investigação que começou com prisão de mulher no Galeão ano passado
03/11/2026
Pescadores se mobilizam e salvam raia gigante presa em rede de pesca em Arraial do Cabo: ´Foi embora, solta e com vida´; VÍDEO
03/11/2026
16ª Virada Sustentável ocupa São Paulo de 5 a 8 de novembro
03/11/2026
Incêndio de grandes proporções em Alter do Chão (PA) é controlado; bombeiros e brigadistas combatem novos focos
03/11/2026
Uber Electric chega a mais 11 cidades no Brasil
03/11/2026
Fibras de carpete descartadas tornam concreto mais resistente
03/11/2026
