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O desmatamento é o maior vilão climático do Brasil?

12/08/2025

Quando se fala em emissão de gases de efeito estufa, é comum pensar em carros, fábricas ou usinas. Mas no Brasil, o principal motor do aquecimento global está longe das grandes cidades e muito mais próximo da floresta: é o desmatamento. Segundo o mais recente levantamento do Observatório do Clima, quase metade das emissões nacionais em 2023 teve origem na destruição de vegetação nativa.
O Brasil emitiu, no total, 2,3 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa naquele ano. Desse montante, 46% vieram do setor de mudança de uso da terra — que inclui, principalmente, o corte e queima de florestas. Isso significa que nenhuma outra atividade econômica do país — nem o transporte, nem a indústria, nem a agropecuária — contribui tanto para o aquecimento global quanto a devastação ambiental.
A relação é direta: quando o desmatamento diminui, as emissões também caem. Foi o que aconteceu em 2023, quando a taxa de desmate na Amazônia caiu 30%, segundo o Inpe. Como consequência, o país registrou a maior redução de emissões em 15 anos: uma queda de 12% em relação a 2022. O dado reforça o impacto imediato que políticas de preservação podem ter sobre a balança climática nacional.
Mas não se trata apenas de gás carbônico na atmosfera. O desmatamento também interfere no ciclo da água. Árvores liberam vapor pelas folhas, formando nuvens e gerando chuva. Quando a floresta é derrubada, esse ciclo se rompe: o ar fica mais seco, a frequência das chuvas diminui e aumenta o risco de eventos extremos, como secas prolongadas. É um efeito dominó que afeta a agricultura, a geração de energia e o abastecimento das cidades.
Outro agravante é o uso do fogo como ferramenta de limpeza de áreas recém-desmatadas. Incêndios intencionais ou descontrolados geram emissões adicionais e tornam o ambiente ainda mais vulnerável à degradação. Em 2024, por exemplo, queimadas intensas foram apontadas como fator de agravamento na degradação da Amazônia, contribuindo para o repique de 4% no desmatamento observado entre agosto daquele ano e julho de 2025.
A comparação com outros setores deixa claro o tamanho do problema. No mundo, as emissões vêm principalmente da queima de combustíveis fósseis. No Brasil, o desmatamento lidera isolado — e, por isso, combater esse processo é uma estratégia chave para conter o aquecimento global. Preservar os biomas é, antes de tudo, proteger o próprio futuro do país.

Fonte: g1

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