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Metais poluentes: Antártida sofre impacto do turismo e da ciência; poluição afeta derretimento da neve

26/08/2025

A Antártida mostra cada vez mais sinais do impacto poluente do turismo e das atividades científicas, segundo revela um estudo publicado nesta quarta-feira (20) na revista Nature Sustainability.
Nas áreas visitadas da península Antártida, foram detectados metais pesados poluentes em uma quantidade dez vezes maior do que há 40 anos, segundo a pesquisa que aborda o impacto desses elementos sobre a neve.
Nas últimas duas décadas, o número de turistas aumentou de cerca de 20 mil para cerca de 120 mil, de acordo com a Associação Internacional de Operadores Turísticos da Antártida (IAATO em inglês).
"O aumento da presença humana na Antártida gera preocupações sobre os poluentes derivados da queima de combustíveis fósseis em embarcações, veículos, aviões (...) que incluem partículas que contêm elementos como cromo, níquel, cobre, zinco e chumbo", indica a pesquisa.
Consultado pela AFP, Raúl Cordero, cientista da Universidade de Groningen e coautor do estudo "Vestígios de metais pesados na neve antártica provenientes da pesquisa e do turismo", assegura que como consequência há um derretimento mais rápido da neve.
"A neve está derretendo mais rápido na Antártida devido à presença de partículas poluentes em áreas frequentadas por turistas", explicou o cientista em uma entrevista telefônica à AFP de Santiago.
De acordo com o especialista, um único turista "pode contribuir para acelerar o derretimento de cerca de 100 toneladas de neve".
Uma equipe de pesquisadores de países como Chile, Alemanha e Países Baixos percorreu durante quatro anos cerca de 2 mil quilômetros na Antártida medindo a presença desses materiais.
Os metais também aumentaram devido às expedições científicas, cujas estadias mais prolongadas podem impactar até 10 vezes mais que a de um turista, afirma Cordero.
No estudo, os autores reconheceram "avanços" na proteção da Antártida, como a proibição de óleo combustível pesado, um derivado do petróleo, ou o uso de embarcações que combinam eletricidade e combustíveis fósseis.
No entanto, é necessário "acelerar a transição energética e minimizar o uso de combustíveis fósseis, especialmente perto de locais sensíveis", afirma o relatório.
A Antártida está perdendo sua massa de gelo e neve rapidamente também como resultado do aquecimento global. Segundo a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), o continente branco perde 135 bilhões de toneladas de neve e gelo por ano desde 2002.

Fonte: g1

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