
28/08/2025
O que fazer com lençóis velhos, óleo de cozinha usado, cacos de vidro, restos de conchas de ostras? A maioria das pessoas responderia na lata: jogar no lixo. Mas, o designer britânico Max Lamb enxergou um potencial único em tais resíduos, a ponto de transformá-los em móveis modernos e funcionais.
Todos esses resíduos, oriundos do hotel Desa Potato Head, em Bali, não só ganharam uma nova utilidade como ainda foram transformados em móveis que parecem saídos de uma revista de design. O trabalho foi feito em colaboração com artesãos locais balineses.
O projeto levou cinco anos para ser desenvolvido e coloca o desperdício no centro do design contemporâneo, sem esconder suas origens. Ao contrário do que se vê em muitas propostas de reutilização, aqui os materiais reciclados não são camuflados.
Cada peça carrega a textura e a narrativa dos materiais que lhe deram origem. Lençóis de hotel comprimidos, por exemplo, resultam em bancos com camadas visíveis e táteis. Bandejas feitas a partir de óleo de cozinha usado apresentam padrões orgânicos únicos, impossíveis de replicar com materiais convencionais.
Para tornar possível a transformação desses materiais incomuns, Lamb trabalhou lado a lado com artesãos balineses. O processo colaborativo foi essencial para desenvolver técnicas adaptadas às propriedades específicas de cada resíduo.
O resultado são peças genuinamente artesanais, que mantêm viva a tradição local enquanto geram emprego e renda para a comunidade. O toque humano está presente em cada cadeira, mesa ou luminária.
Apesar da origem pouco convencional dos materiais, os móveis criados pelo designer não são apenas conceituais ou bonitos. A mobília foi projetada para uso diário, oferecendo conforto e durabilidade.
Cadeiras são ergonômicas, mesas resistem ao desgaste, e os abajures oferecem iluminação suave e eficiente. Em muitos casos, os materiais reutilizados apresentaram maior durabilidade do que opções tradicionais, além de texturas e cores exclusivas.
Visitantes do hotel Desa Potato Head podem ver de perto os resíduos que estão por trás dos objetos de design. As matérias-primas são exibidas ao lado das peças prontas, oferecendo uma experiência educativa e transparente, algo raro na indústria do mobiliário.
Ao contrário de muitos projetos com foco ambiental, Lamb evita o tom moralista. A sustentabilidade surge naturalmente a partir do bom design, e não o contrário. Sua coleção já conta com 14 produtos diferentes, desenvolvidos em apenas 12 meses após a padronização dos processos.
A iniciativa é mais um exemplo de que é possível criar objetos sustentáveis que as pessoas vão querer ter, independentemente da questão ambiental.
Fonte: CicloVivo
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