
02/09/2025
O derretimento do gelo ártico tem sido um dos efeitos mais profundos da mudança climática, um impacto frequentemente retratado com imagens de um urso polar solitário preso em um pedaço de gelo marinho cada vez menor. Agora, um novo estudo descobriu que o gelo tem derretido mais lentamente nas últimas duas décadas em todas as estações —mesmo sob uma atmosfera com calor recorde.
De 2005 a 2024, cientistas afirmam que o gelo marinho do Ártico tem diminuído na taxa mais lenta para qualquer período de 20 anos desde que as medições por satélite começaram em 1979. Usando dois conjuntos de dados diferentes, a equipe descobriu que a taxa de derretimento nos últimos 20 anos tem sido pelo menos duas vezes mais lenta do que a taxa de longo prazo.
A desaceleração é temporária, mostram os modelos. Pode continuar por mais cinco a 10 anos e, depois disso, o gelo marinho pode derreter mais rapidamente do que a média de longo prazo —compensando qualquer breve alívio que possamos ter tido.
"Mesmo com o aumento das emissões [e] o aumento das temperaturas globais, ainda é possível ter períodos em que há uma perda mínima de gelo marinho ártico por períodos prolongados", disse Mark England, autor principal do estudo, publicado este mês no Geophysical Research Letters.
Aqui está o que você precisa saber sobre as variações no declínio do gelo no Ártico.
Por que o gelo ártico está derretendo mais lentamente nas últimas décadas?
Vamos resumir os fatores que influenciam o clima da Terra a uma equação simples: os humanos e os ciclos naturais do planeta.
As atividades humanas estão inequivocamente aquecendo o planeta ao liberar gases de efeito estufa, que retêm calor em nossa atmosfera e aceleram o derretimento do gelo. Mas, embora as mudanças climáticas tenham sido o fator predominante no declínio do gelo, os cientistas dizem que as variações naturais na Terra —como El Niño ou a Oscilação Multidecadal do Atlântico— também podem ter efeitos diferentes em nosso ambiente ao longo do tempo.
O fator mais comum nos ciclos naturais da Terra é a diferença na quantidade de energia trocada entre o oceano e a atmosfera, disse Alex Crawford, professor assistente de meio ambiente e geografia na Universidade de Manitoba, no Canadá, que não participou do estudo.
"Sempre há energia indo e vindo entre a atmosfera e o oceano", disse Crawford. "Por várias razões, os oceanos podem armazenar muito, muito mais energia do que a atmosfera."
Em alguns anos, ele disse que os oceanos do mundo absorvem um pouco mais de energia do que o normal, o que tornará a atmosfera global mais fria do que o normal. Se os oceanos absorverem um pouco menos de energia do que o normal, a atmosfera global será mais quente do que o normal.
"O exemplo mais famoso disso é El Niño e La Niña, mas também há variabilidade de longo prazo que pode ocorrer ao longo de várias décadas e amplificar (por exemplo, a década de 2010) ou enfraquecer (por exemplo, a década de 2000) a tendência de aquecimento global", disse Crawford. "Isso é tudo normal."
Nas últimas duas décadas, England disse que os ciclos naturais do planeta talvez tenham ajudado a criar águas mais frias ao redor do Ártico que favoreceram o crescimento do gelo marinho. Ainda assim, o calor adicional das atividades humanas neutralizou esse crescimento e levou a um déficit geral.
Para colocar em perspectiva, sem as mudanças climáticas, essas variações naturais talvez até tivessem causado o crescimento do gelo marinho nestas últimas duas décadas, disse England.
Termine de ler esta matéria clicando na Folha de S. Paulo
Onde está a Sueli? Arara monitorada reaparece na Floresta da Tijuca após fuga; equipe tenta fazer recaptura
29/10/2026
Partiu Reciclar: mapa indica pontos de descarte na rede Carrefour
29/10/2026
Governo restabelece regras e libera pesca na foz do Rio Doce após 10 anos do desastre de Mariana
29/10/2026
Áreas de vegetação nativa ficaram menores e mais isoladas no Brasil; país tem 3,4 milhões de fragmentos
29/10/2026
Pará tem mais da metade dos focos de incêndio no Brasil
29/10/2026
Califórnia abriga o maior berçário de polvos de águas profundas
29/10/2026
