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Número de saruês recolhidos em São Paulo mais que dobra em sete anos

11/09/2025

O saruê, um gambá nativo do Brasil, é o bicho que o serviço da Prefeitura de São Paulo para animais silvestres mais recolhe na cidade.
Eles representam cerca de um terço de todos os animais no Cemacas (Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres, órgão da prefeitura).
Os números têm aumentado a cada ano. Em 2017, foram pouco menos de 1.400 indivíduos. No ano passado, atingiram quase 3.600.
Esse é um possível termômetro de que a população de saruês pode ter crescido na cidade, mas pode ser que seja só um aumento dos "agravos" (ou seja, momentos em que a relação com humanos gera alguma ocorrência), diz Marcello Schiavo Nardi, médico veterinário do Cemacas.
Uma das hipóteses do especialista para isso é ligada à ocupação da cidade: novas áreas estariam passando por urbanização, o que forçaria o contato com humanos. O especialista pondera, ainda, que a alta de saruês que chegam ao Cemacas pode ser reflexo de uma difusão maior do próprio serviço municipal. "Antigamente as pessoas não tinham conhecimento do nosso trabalho", diz.
Assim como os cangurus, os saruês são marsupiais, ou seja, as fêmeas têm uma bolsa na barriga onde os filhotes terminam de se desenvolver. Eles são pequenos, pesam um pouco mais de um quilo e têm hábitos noturnos.
São também animais sinantrópicos, como as baratas e as pombas —ou seja, se beneficiam da ocupação humana. "A diferença é que esse animal, junto com o sabiá e o bem-te-vi, é um dos poucos nativos que vão bem na cidade. Eles se alimentam muito de resto de comida, lixo nas ruas, matéria orgânica", explica Adriano Pinter, professor de doenças parasitárias da USP. O gambá também come insetos e aracnídeos, como aranhas e escorpiões.
Não é em qualquer área urbana que esses animais conseguem viver —eles dificilmente apareceriam em uma região sem arborização, como a praça da Sé, afirma o professor. Mas há, por exemplo, uma comunidade no parque da Água Branca, na zona oeste da cidade. Nardi, do Cemacas, afirma que muitos são recuperados no entorno do parque do Ibirapuera.
"Os saruês fazem ninho em árvore, eles precisam disso para ter algum abrigo, então dependem de algum mato", segundo Pinter.
Tanto Nardi como Pinter dizem que, nas últimas décadas, a relação dos humanos de São Paulo com os animais silvestres mudou, o que pode explicar uma alta dos números.
O professor da USP diz que, até 1988, ainda era permitido caçar, enquanto hoje as pessoas são mais sensíveis aos bichos. Ele dá o exemplo das capivaras, que se tornaram muito mais numerosas na cidade.
O animador gráfico Gabriel Bitar diz já conseguir identificar o barulho que os saruês fazem. "Parece uma risada curta; um faz o som, e os outros respondem", conta.
Ele viu um pela primeira vez em uma grade com plantas na casa onde mora, no bairro Butantã, zona oeste de São Paulo. O contato foi se tornando cada vez mais comum.
"Eles têm um comportamento mais assustado, não deixam chegar perto. Geralmente, ficam no quintal, brincando com as folhas. Como eles são marsupiais, andam cheio de filhotes na bolsa ou no cangote."
Bitar relata casos em que os saruês não se contiveram em ficar só no quintal: "Um deles entrou no meu ateliê e eu, sem perceber, o tranquei dentro. Para tentar sair, ele derrubou tudo, inclusive nanquim."
Ele diz ainda não permitir que os saruês tenham acesso aos ambientes dos gatos que cria e, se percebe que um dos gambás conseguiu beber água ou comer ração do pote dos animais domésticos, ele limpa tudo para evitar algum tipo de contágio.
Adriano Pinter, o professor de doenças parasitárias da USP, diz que já foram encontrados saruês infectados com a Doença de Chagas tanto no Butantã como no parque da Água Branca. "O que não temos é o vetor, o [inseto] barbeiro. Se tivéssemos, poderia ser um problema, porque o saruê é um reservatório [do protozoário que causa a Doença de Chagas]."

Fonte: Folha de S. Paulo

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