
23/09/2025
A menos de dois meses da COP30, em Belém, a União Europeia decidiu que, em vez de anunciar já uma meta climática fechada para 2035, vai levar a Nova York, na semana que vem, apenas uma carta de intenção, ou seja, um sinal político do que pretende fazer, que não tem força de compromisso.
O texto foi divulgado nesta semana e fala em reduzir as emissões entre 66,25% e 72,5% até 2035, em comparação aos níveis do bloco em 1990.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a opção pela “declaração de intenções” foi vista como uma forma de evitar o constrangimento de chegar de mãos vazias ao encontro convocado pelo secretário-geral da ONU na próxima semana justamente para que líderes apresentem suas novas metas climáticas — as chamadas NDCs — antes da conferência de Belém.
📝ENTENDA: Essas metas são o principal instrumento do Acordo de Paris para enfrentar a crise climática, e a rodada atual - chamada de NDCs 3.0 - pode ser a última chance real de manter vivo o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. Agora, para que entrem de fato nas negociações, todos os compromissos precisam ser apresentados antes da COP30.
Essa espécie de vitrine de Nova York foi planejada para dar visibilidade aos países que estão na dianteira do processo, como uma espécie de prévia da COP30.
A ONU pediu que as metas de 2035 fossem entregues até este mês setembro, de modo que pudessem ser incorporadas ao relatório-síntese que será publicado em outubro, às vésperas da conferência no Pará.
Mas, até agora, apenas 34 países dos 195 signatários do Acordo de Paris apresentaram suas novas metas.
Os países que ainda não entregaram — entre eles China, Índia, Rússia e aqueles que fazem parte da UE — respondem por mais de 80% das emissões globais.
Assim, o risco, dizem analistas, é que a União Europeia e outros grandes emissores cheguem a Belém sem uma ambição suficiente, e que a COP30 se torne um palco para expor, diante do mundo, a distância entre promessas e a ciência do clima.
“Esperamos que a Presidência da COP30 use seu poder de articulação para pressionar a União Europeia e todas as Partes rumo ao mais alto nível possível de ambição. Ainda assim, só ambição não será suficiente: já está claro que as novas NDCs, embora avancem na direção certa, ficarão aquém do necessário para manter a meta de 1,5 °C ao alcance", explica ao g1 Andreas Sieber, diretor-associado de políticas globais e campanhas da 350.org.
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