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Perdas econômicas causadas pelas mudanças climáticas mais que dobram na Europa

02/10/2025

O clima extremo e as mudanças climáticas causaram mais danos financeiros na Europa entre 2020 e 2023 do que em toda a década anterior, segundo uma pesquisa que destaca o impacto do aumento da degradação dos ecossistemas e da escassez de água sobre as empresas.
As perdas econômicas anuais médias na União Europeia associadas ao aumento da intensidade do calor, enchentes e outros eventos climáticos extremos chegaram a 44,5 bilhões de euros (R$ 277,9 bilhões) entre 2020 e 2023 —duas vezes e meia mais do que entre 2010 e 2019—, segundo relatório da Agência Europeia do Meio Ambiente (EEA) divulgado nesta segunda-feira (29).
Quase três quartos das empresas que produzem bens e serviços na zona do euro são "altamente dependentes" de pelo menos um ecossistema natural, diz o relatório. Ele observa que 75% dos empréstimos bancários são concedidos a empresas que dependem de recursos naturais para operar, e quase 15% dos ativos industriais estão localizados em áreas de planícies aluviais (sujeitas a enchentes).
"A natureza está realmente enfrentando degradação, superexploração e perda de biodiversidade e, claro, ao mesmo tempo vemos a aceleração das mudanças climáticas", disse Leena Ylä-Mononen, diretora executiva da EEA, ao Financial Times. "Isso representa riscos importantes para a competitividade da Europa, sua prosperidade de longo prazo, segurança e qualidade de vida."
A Europa é o continente que mais aquece no planeta, com temperaturas mais altas levando a padrões climáticos muito mais voláteis e ao aumento de incêndios florestais e enchentes.
A pesquisa da EEA surge enquanto os governos da UE debatem uma meta legalmente vinculativa de redução de 90% nas emissões de gases de efeito estufa até 2040, em comparação com os níveis de 1990. Países como França e Polônia solicitaram que os líderes discutam essa meta em outubro, argumentando que o ritmo da transição afetará suas economias já fragilizadas.
Para aliviar o impacto, a Comissão Europeia sugeriu que cerca de 3% das reduções de emissões poderiam ser contabilizadas por meio da compra de créditos de carbono internacionais —contra a proposta do conselho consultivo científico da UE.
Neste mês, a UE perdeu o prazo para apresentar uma meta de redução de emissões para 2035 à ONU antes da conferência climática, que este ano será realizada no Brasil. Em vez disso, enviou uma carta de intenções dizendo que apresentaria uma meta entre 66,25% e 72,5%. Isso levou ativistas a argumentarem que a UE está perdendo sua liderança internacional na ação climática.
"Isso não transmite o sinal correto", disse Ylä-Mononen.
A chefe da agência ambiental destacou que as metas climáticas da UE estão em risco não apenas por forças políticas. Os sumidouros naturais de carbono da UE —como florestas e turfeiras— diminuíram cerca de 30% na última década, segundo o relatório, o que significa que eles já não absorvem tanto carbono quanto antes.
A EEA afirmou que o estresse hídrico —quando a demanda supera o fornecimento— está afetando cerca de um terço da população europeia. A agricultura é "responsável pela pressão mais significativa tanto sobre as águas superficiais quanto subterrâneas", diz o relatório.

Fonte: Folha de S. Paulo

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