
07/10/2025
Modelos climáticos são complexos, assim como o mundo que eles espelham. Eles simulam, simultaneamente, o fluxo caótico e interativo da atmosfera e dos oceanos da Terra e rodam nos maiores supercomputadores do mundo.
Críticas à ciência climática, como o relatório preparado este ano pelo Departamento de Energia dos EUA, costumam apontar essa complexidade como sinal de incerteza, sugerindo que os modelos seriam pouco úteis para explicar o aquecimento atual ou prever o futuro, mas a história da ciência climática conta uma história diferente.
Os primeiros modelos climáticos fizeram previsões específicas sobre o aquecimento global décadas antes que essas previsões pudessem ser comprovadas ou refutadas. E quando as observações chegaram, os modelos estavam certos. As previsões não eram apenas sobre o aquecimento médio global, elas também previam padrões geográficos de aquecimento que só hoje conseguimos observar.
Essas primeiras previsões, que começaram na década de 1960, nasceram em grande parte de um único e um tanto obscuro laboratório do governo nos arredores de Princeton, Nova Jersey: o Geophysical Fluid Dynamics Laboratory. E muitas das descobertas trazem as impressões digitais de um modelador climático particularmente presciente e persistente, Syukuro Manabe, que recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2021 por seu trabalho.
Os modelos de Manabe, baseados na física da atmosfera e do oceano, previram o mundo que vemos agora e, ao mesmo tempo, traçaram as bases para os modelos climáticos atuais e sua capacidade de simular nosso clima em grande escala. Embora modelos climáticos tenham limitações, é esse histórico de sucesso que nos dá confiança para interpretar as mudanças que estamos vendo agora, bem como para prever as que estão por vir.
Confira as 5 previsões clicando na Folha de S. Paulo
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