UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Japão enfrenta o verão mais quente em 127 anos e registra 41,8 °C em Isesaki

21/10/2025

O verão japonês de 2025, entre junho e agosto, se tornou o mais quente já registrado desde o início da série histórica, em 1898, com temperaturas médias 2,36°C acima do padrão. Os termômetros marcaram recordes em 123 estações meteorológicas do país, com a cidade de Isesaki registrando uma nova máxima nacional de 41,8 °C em 5 de agosto.
Segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), houve 30 ocorrências de temperaturas acima de 40 °C no período, superando com folga o recorde anual anterior de 17 episódios, ocorrido no verão de 2018.
O calor extremo visto no Japão compõe um cenário persistente de eventos climáticos enfrentados pelo país ao longo de 2025.
Mesmo com a chegada do outono ao arquipélago, o calor não desapareceu completamente. No último domingo, os termômetros marcaram 35 °C na cidade sulista de Kagoshima, incomum para a época. Mais de 30 localidades registraram recordes para o mês de outubro.
"A razão mais básica para o aumento do calor é o aquecimento global", disse Yoshihiro Iijima, professor de climatologia da Universidade Metropolitana de Tóquio.
"Este ano vimos superfícies muito quentes tanto no Oceano Pacífico quanto no Mar do Japão, ou seja, dos dois lados das ilhas japonesas, o que contribuiu para uma umidade acima da média e ar mais quente sobre a terra", afirmou ele à DW.
Um sistema de alta pressão intensificou o aquecimento das águas oceânicas por um longo período neste verão, explicou Iijima, enquanto uma corrente de jato subtropical deslocou-se significativamente em direção ao Polo Norte.
"Essas condições combinadas são uma espécie de ´tempestade perfeita´ que contribuiu para os recordes registrados até agora este ano", disse Iijima. "Quebramos recordes por três anos seguidos, e isso é uma tendência extremamente preocupante. Eu já estaria preocupado com um aumento gradual do calor, mas estamos vendo elevações fora do comum."
Diante das condições extremas, a JMA reuniu um Painel Consultivo sobre Eventos Climáticos Extremos para discutir o assunto.
"Os recordes observados no Japão no verão de 2025 virtualmente nunca teriam acontecido sob a suposição de ausência de efeitos do aquecimento global", afirmaram em um estudo publicado no fim de setembro.
"Médias inéditas durante o verão foram observadas por três anos consecutivos (2023 a 2025), superando em muito a tendência linear projetada com base no período de 1995 a 2024."
O calor constante pode ter consequências extremas para o país, aponta Iijima.
"O impacto no setor agrícola japonês será sério. A produção de arroz deve cair, porque a cultura não suporta o calor e falta água adequada", disse ele. Especialistas também observaram reduções de capturas no setor pesqueiro, já que espécies tradicionais migram para o norte em busca de águas mais frias.
O calor também tem um impacto mais direto sobre a população japonesa. Mais de 100 mil pessoas foram hospitalizadas entre 1º de maio e o início de outubro para tratamento de insolação. Isso representa um aumento de 4% em relação ao ano passado, que já havia sido um recorde, com os idosos particularmente afetados pela combinação de altas temperaturas e alta umidade.
Iijima também alerta que o calor extremo tende a gerar tufões mais poderosos.
O tufão Nakri passou pelo arquipélago de Izu, ao sul de Tóquio, na última segunda-feira, uma semana depois de o tufão Halong atingir a mesma região. A primeira tempestade causou uma morte, além de danificar prédios nas ilhas e provocar deslizamentos. Os ventos chegaram a 180 km/h, trazendo quantidades incomuns de chuva.
"Temperaturas elevadas e persistentes da água perto do Japão permitem que esses tufões durem mais e se tornem mais poderosos e destrutivos", explicou o professor. "E conforme as condições ficam ainda mais quentes, isso os tornará ainda mais perigosos."

Termine de ler esta reportagem clicando no g1

Novidades

Onde está a Sueli? Arara monitorada reaparece na Floresta da Tijuca após fuga; equipe tenta fazer recaptura

29/10/2026

A arara-canindé Sueli, que participa do projeto de reintrodução da espécie no Parque Nacional da Tij...

Partiu Reciclar: mapa indica pontos de descarte na rede Carrefour

29/10/2026

Além de materiais recicláveis, como o plástico, metais, papel e vidro, outros resíduos precisam ter ...

Governo restabelece regras e libera pesca na foz do Rio Doce após 10 anos do desastre de Mariana

29/10/2026

Após 10 anos, o governo federal publicou uma portaria que restabelece as regras e libera as atividad...

Áreas de vegetação nativa ficaram menores e mais isoladas no Brasil; país tem 3,4 milhões de fragmentos

29/10/2026

As áreas de vegetação nativa do Brasil ficaram menores e mais isoladas nas últimas décadas. Em 2024,...

Pará tem mais da metade dos focos de incêndio no Brasil

29/10/2026

O Pará concentrou mais da metade dos focos de queimada em andamento no Brasil de domingo (25) até se...

Califórnia abriga o maior berçário de polvos de águas profundas

29/10/2026

Em 2018, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey identificaram uma con...