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Natura industrializa sementes e polpas no meio da Amazônia

28/10/2025

Não é de hoje que a Natura é conhecida por utilizar castanhas, sementes e polpas de frutos da amazônia em suas linhas de produtos, mas a companhia deu alguns passos a mais no conceito de fazer dinheiro com floresta em pé. Além de comprar o que é coletado, passou a apoiar o processamento da matéria-prima no local da extração —ou seja, apoia a implantação de pequenas agroindustrias no meio da mata.
A companhia mantém comércio com 45 comunidades na amazônia, onde vivem cerca de 10 mil famílias. Em 21 delas, o sistema de trabalho incluiu a instalação de equipamentos que transformam sementes e frutos locais em óleos, manteigas e essências a partir de espécies como andiroba, castanha-do-pará, patauá e priprioca.
A estrutura industrial é de pequeno porte. Ocupa um galpão. O processamento é simples. O efeito multiplicador, porém, é imenso. A depender do tipo de produto, a venda da matéria-prima transformada em insumo aumenta a renda das famílias em até 60%. A Natura é o principal comprador, mas as cooperativas têm liberdade para fazer negócios com outras empresas.
Em maio deste ano, uma equipe de reportagem da Folha visitou um desses empreendimentos: as instalações da ATAIC (Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas), na Ilha de Marajó, no Pará, projeto que também conta com energia solar.
"Gerar valor econômico para a região e para as comunidades ribeirinhas é a forma de trazer solução para a transição climática", explica a diretora de Sustentabilidade da Natura, Angela Pinhati.
"Esse arranjo até reforça o vínculo dos mais jovens. Essa fábrica, no geral, é tocada pela nova geração, que estava abandonando a mata. Os filhos dos cooperativistas, às vezes, vão até fazer um curso técnico, porque essa pequena fábrica desenvolveu um novo nicho de trabalho. Precisa de um mecânico, um eletricista."
As agroindústrias também conferem uma certa racionalidade à logística de insumos florestais. Quando a Natura começou a usar as plantas da região, há 25 anos, todas sementes saíam das comunidades no meio da floresta e precisavam ser transportadas ao longo de quase 3 mil km (quilômetros) para virarem creme, perfume e xampu em São Paulo.
Outra iniciativa para fortalecer a ideia da floresta viva como fonte de biodesenvolvimento foi levar a produção de sabonetes para a região. A Natura instalou, em 2014, uma fábrica em Benevides, no Pará, a cerca de 35 km da capital Belém. É de lá que hoje saem 94% dos sabonetes em barra da marca —praticamente tudo.
Diferentemente das agroindústrias, a fábrica não está em mata nativa. Porém, funciona dentro de um ecoparque, e a sua forma de trabalho e o fato de utilizar mais de 90% de mão de obra local e insumos florestais, fortalece a proposta de mostrar, na prática, que se ganha muito com a preservação da biodiversidade na amazônia.
A planta industrial ocupa 175 hectares, tem espaço para parceiros interessados na bioeconomia, opera em simbiose com mata preservada e adota métodos sustentáveis de produção. Entre as práticas adotadas estão o reúso de água de chuva, sistema de resfriamento subterrâneo, tratamento natural de efluentes, compostagem de resíduos para reaproveitamento como adubo.

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