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Durante sete dias, um ponto azul tenta escapar de centenas de barcos: o drama de baleia no Chile; VÍDEO

06/11/2025

Um vídeo mostra uma baleia-azul tentando se movimentar em meio a centenas de barcos de pesca na costa da Patagônia chilena — uma das principais áreas de alimentação da espécie, que está ameaçada de extinção. (Veja a imagem acima)
A animação foi criada pelo biólogo marinho Luis Bedriñana-Romano, do Centro Ballena Azul, e faz parte de um estudo publicado revista científica "Nature". O trabalho revela que as baleias-azuis enfrentam uma mobilidade extremamente limitada nessa região, onde podem cruzar, em um único dia, com até 1.000 embarcações.
“O que o vídeo mostra é o que elas enfrentam todos os dias para conseguir se alimentar”, afirma Luis Bedriñana-Romano. “Se nada for feito, as colisões e o ruído constante podem tornar inviável a vida dessas baleias nas próximas décadas.”
No vídeo, um ponto azul representa a baleia. Ela tenta nadar e se alimentar ao longo de sete dias, entre 22 e 29 de março de 2019, quando a pesquisa foi feita. A imagem mostra que ela desvia de uma intensa movimentação de barcos, que são os pontos laranja que preenchem o mar quase por completo.
O resultado é uma espécie de “mapa do caos”, que mostra como a presença constante de embarcações praticamente encurrala os animais.

➡️ Segundo o estudo, 89% dos navios que circulam na região do Golfo de Ancud, onde as cenas foram registradas, são de frotas de aquicultura, usadas para transportar funcionários e suprimentos para fazendas marinhas.

Essas embarcações se concentram justamente em uma das zonas de maior presença de baleias, o que aumenta o risco de colisões fatais e perturbação das rotas migratórias.
Durante o verão austral, pesquisadores marcaram 15 baleias-azuis com dispositivos de rastreamento por satélite e cruzaram os dados com informações oficiais de tráfego marítimo do serviço pesqueiro chileno (Sernapesca).
Os resultados mostram que, para se alimentar, uma baleia pode ter de desviar de até 700 barcos por dia, o que reduz o tempo disponível para buscar alimento e aumenta o gasto de energia.
Essas interações foram registradas entre Puerto Montt e a Península de Taitao, no sul do Chile — área que abriga um dos últimos refúgios da espécie no Pacífico Sul.
O biólogo Luis Bedriñana-Romano e sua equipe defendem que a indústria pesqueira do Chile adote medidas urgentes de proteção, como zonas de exclusão temporária, limitação de velocidade de embarcações e rotas seguras de navegação durante o período de presença das baleias.
Em 2020, um dos casos mais graves ocorreu nas Ilhas Britânicas, quando uma baleia-azul foi encontrada morta após ser atingida por um navio.
No entanto, o que o pesquisador relata é que muitos dos casos de acidente com baleias acabam não sendo notificados e que o número de animais feridos e mortos pode estar subestimado.

Fonte: g1

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