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Parques alagáveis e jardins filtrantes buscam atenuar enchentes e poluição de rios no Recife

06/11/2025

Inaugurado em novembro de 2024 como um esboço de solução para os recorrentes alagamentos do Recife, o Parque Alagável do Tejipió, na zona oeste da cidade, é tido por especialistas como um avanço no urbanismo sustentável da capital pernambucana.
O parque alia lazer, meio ambiente e infraestrutura para mitigação de enchentes, beneficiando diretamente bairros como Areias, Estância e Tejipió —áreas historicamente vulneráveis às chuvas intensas.
No entanto, ambientalistas afirmam que é preciso usar a experiência como laboratório para a expansão em outras áreas da capital pernambucana. A região metropolitana do Recife foi atingida, há três anos, por uma das maiores tragédias climáticas da história, com mais de 120 mortos em deslizamentos e inundações.
As mudanças climáticas foram responsáveis por intensificar os temporais que aconteceram na região Nordeste em 2022, inclusive no Grande Recife. A capital pernambucana é vulnerável às chuvas por causa da baixa altitude, praticamente ao nível do mar, e pelo volume de rios, o que dificulta o escoamento da água. Além disso, a formação geográfica, de uma cidade com aterros sobre mangues, e a ocupação desordenada sobre áreas de morros ampliam as dificuldades.
Com cerca de 15 hectares de área, o parque alagável foi projetado para funcionar como um espaço de retenção natural. Durante períodos de chuvas, ele absorve e armazena grandes volumes de água do rio Tejipió, reduzindo a velocidade com que ela escoa para regiões ribeirinhas.
Em vez de canalizar e eliminar as águas pluviais rapidamente, como no modelo tradicional, a solução alagável aposta na retenção e infiltração.
O parque serve como área de lazer durante períodos secos e atua como bacia de retenção durante chuvas intensas. Além disso, a prefeitura realiza ações complementares de infraestrutura na área.
As ações fazem parte do Programa de Requalificação e Resiliência Urbana em Áreas de Vulnerabilidade Socioambiental, conhecido como Promorar, que tem R$ 2 bilhões no escopo de investimentos após operações de crédito junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O rio Tejipió, um dos principais da cidade, sofreu, ao longo de décadas, com a ocupação desordenada às margens e a degradação ambiental. O parque também busca proteger áreas de várzea e reconstituir parte da vegetação nativa, além de atuar como barreira natural contra inundações e ajuda a recuperar a biodiversidade local.
O arquiteto e urbanista Roberto Montezuma, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, aponta que esse tipo de experiência precisa ser ampliada para diversos locais do Recife, que é apontada como uma das possíveis cidades mais impactadas pelas mudanças climáticas nas próximas décadas.
O Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas, divulgado em 2021, mostrou que Recife é a capital brasileira mais ameaçada pelo avanço do nível do mar.
"Com a saída dos holandeses [no século 17], com a retomada dos portugueses, a cidade foi gradativamente dando suas costas para os rios, suas costas para as frentes d´água, com exceção do mar. Foi sequencialmente assim. E [houve] a carência de um planejamento mais complexo do Recife, que é a primeira capital a fazer 500 anos em 2037. O parque alagável é uma parte desse processo [de recuperação] e ele está sendo ainda desenvolvido para conduzir essa política pública de continuidade", diz.
"É preciso mudar a gestão, em especial das cidades brasileiras. É preciso voltar ao planejamento de longo prazo, ter projetos de futuro", acrescenta Montezuma.
Outra iniciativa em relação ao meio ambiente no Recife está nas proximidades do rio Capibaribe, que corta a cidade e é o maior do município. Inaugurado em julho de 2023 pelo prefeito João Campos (PSB), o jardim filtrante do Parque do Caiara, na zona oeste da capital de Pernambuco, é voltado para a despoluição hídrica.
Com 7 mil metros quadrados e capacidade para filtrar 350 mil litros por dia, o jardim filtrante funciona como um sistema natural de tratamento de águas e utiliza plantas e solo para filtrar impurezas de esgotos domésticos e águas pluviais que antes eram despejadas diretamente no rio.
O sistema é composto por tanques escavados e preenchidos com cascalho e vegetação adaptada, como papiros e taboas, que promovem a fitorremediação —processo em que as plantas absorvem e degradam poluentes. A água é direcionada para esses tanques, passa por diferentes estágios de filtragem e retorna ao meio ambiente em melhores condições.

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