
13/11/2025
Estudo lançado nesta quarta-feira (12) mostra que 119 países já possuem sistemas de alerta para eventos climáticos de riscos múltiplos, um salto de 113% nos últimos dez anos. Também a abrangência dos dispositivos aumentou 45% desde 2015.
O avanço, porém, ainda é insuficiente, afirmam o Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres (UNDRR, na sigla em inglês) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
As duas entidades lideram a iniciativa "Early Warnings for All", alertas prévios para todos, que persegue a meta de deixar todas as pessoas do planeta sob algum tipo de proteção até 2027. Ainda que festejada, a marca de 119 países, 60% do total, reflete a desigualdade.
Entre Estados insulares em desenvolvimento, a taxa alcança apenas 43%, e os menores índices ainda se encontram na África, apesar de um progresso de 72% na abrangência de proteção já ter sido alcançado.
"Os desastres não são naturais nem inevitáveis. E mesmo diante de uma crise climática crescente, podemos dar um basta à espiral de perdas cada vez maiores", afirmou Kamal Kishore, chefe da UNDRR, sublinhando a inadequação da expressão "desastres naturais" para eventos extremos cuja intensidade e frequência, mostra a ciência, crescem com o aquecimento global.
"Para reverter essas tendências, os países devem acelerar a implementação total do Marco de Sendai nos cinco anos restantes. Isso requer priorizar o financiamento para a resiliência."
O Marco de Sendai, alcançado durante conferência da ONU na cidade japonesa em 2015, prevê uma série de ações para diminuir substancialmente a mortalidade por catástrofes até 2030, aprimorar infraestruturas, melhorar a governança e induzir o investimento em resiliência.
O relatório atual nota também a intensificação de risco emergentes, como calor extremo, incêndios florestais e inundações causadas pelo rompimento de lagos glaciais, ameaças com as quais muitos sistemas de alerta existentes não estão preparados para lidar.
"Cotidianamente estamos vendo condições meteorológicas destrutivas, como há pouco na Jamaica, nas Filipinas e no Vietnã. Cada evento deixa impactos duradouros nas comunidades, economias e ecossistemas. As cicatrizes permanecem muito tempo depois das manchetes", disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
"Sem previsões antecipadas, alertas prévios e ações imediatas, a perda de vidas teria sido muito, muito maior."
Na semana passada, São Paulo testemunhou um alerta prévio da Defesa Civil sobre chuvas e fortes rajadas de vento. No mesmo dia, no Paraná, um tornado devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, que contabiliza sete mortes até aqui.
O relatório da UNDRR e da OMM insta os governos a investirem em sistemas de alerta e na gestão de risco em conjunto com as comunidades locais. Menos de um terço de todos os países relatam ter capacidade para reconhecimento dos riscos, base para qualquer sistema.
Leia outras conclusões do estudo clicando na Folha de S. Paulo
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