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Universidades criam Instituto Nacional do Cerrado para unir ciência e políticas públicas do bioma

06/01/2026

Buscando integrar e promover a pesquisa científica que foque no desenvolvimento sustentável do segundo maior bioma do país, universidades criaram o Instituto Nacional do Cerrado no último dia 16.
Mercedes Bustamante, professora de ecologia na UnB (Universidade de Brasília), onde o instituto ficará sediado provisoriamente, e especialista no cerrado, afirma que a região concentra os grandes desafios do nosso tempo.
"Os impactos da mudança do clima já se fazem sentir, as mudanças de uso da terra [desmatamento e conversão em lavouras e pastos] são rápidas, há conflitos socioambientais dramáticos e tudo isso gera consequências negativas para as seguranças alimentar, hídrica e energética", explica.
A pesquisadora, escolhida como primeira diretora-executiva da nova entidade, ressalta que, devido a esse quadro, esse é um espaço onde podem ser implementadas estratégias inovadoras, de impacto nacional e global.
"Conciliar uma agricultura compatível com as demandas de conservação da biodiversidade e ecossistemas, estabilidade climática e justiça social requer soluções direcionadas e bem fundamentadas", diz ela.
De agosto de 2024 a julho de 2025, o cerrado perdeu 7.235 km² de vegetação nativa –o menor índice para o bioma em cinco anos, mas equivalente a quase cinco vezes a área da cidade de São Paulo.
O bioma é a savana mais biodiversa do mundo e é o berço da maioria das bacias hidrográficas do país. No entanto, também é uma fronteira do agronegócio brasileiro, que é o principal motor do desmatamento na região, que já tem o clima mais seco e quente por causa disso.
"Já existe um conjunto robusto de universidades, institutos federais e centros de pesquisa fazendo ciência de ponta sobre o bioma", explica Bustamante. "Mas há a necessidade de um espaço em que soluções para os problemas socioambientais complexos possam ser articuladas e capilarizadas."
O lançamento do órgão, fundado como associação civil, contou com a participação de reitores e pesquisadores de 19 instituições de ensino superior da região.
A demanda dos acadêmicos era de que a entidade fosse criada pelo governo federal, sob o guarda-chuva do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação). A pasta tem 18 unidades de pesquisa, sendo 4 voltadas para biomas específicos: Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, Instituto Nacional da Mata Atlântica e, focado na caatinga, o Instituto Nacional do Semiárido.
No entanto, em agosto, a pasta afirmou à Folha que reconhecia o mérito da proposta do Instituto Nacional do Cerrado, mas não dispunha de orçamento para executá-la. Agora, o novo instituto vai pleitear a sua classificação como organização social e, na sequência, a vinculação à pasta por meio de um contrato de gestão.
Segundo os responsáveis, esse modelo, mais enxuto e célere, já é usado por outros centros, como o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e o Inpo (Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas). O formato também é menos oneroso aos cofres públicos, já que tem maior autonomia para buscar recursos em outras fontes.
De acordo com Bustamante, o financiamento foi um dos pontos centrais para a criação da associação. "Estamos prospectando as possibilidades [de verbas] a partir de diferentes fontes. O planejamento é que o instituto inicie suas atividades com uma estrutura concisa e eficiente", diz.
Além dela, a diretoria executiva provisória do instituto, com mandato de seis meses, é composta pelo professor Laerte Guimarães Ferreira, da Universidade Federal de Goiás, na posição de diretor administrativo-financeiro.
"Esse é um passo histórico para fortalecer a pesquisa e apoiar a transição ecológica do país", afirma Ferreira.

Fonte: Folha de S. Paulo

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