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Antigo armazém de lã é transformado em centro comunitário

22/01/2026

Resgatar edifícios históricos, devolvendo-os à paisagem urbana, mas levando em conta a sustentabilidade da obra é um dos desafios contemporâneos. Em Melbourne, na Austrália, um bom exemplo recente é a revitalização de um antigo armazém de lã transformado em um vibrante centro comunitário de uso misto. O projeto resultou em uma redução de 84% no carbono incorporado.
Desenvolvido pelo escritório Woods Bagot, o edifício Younghusband é uma joia da arquitetura industrial vitoriana do início do século XX, com suas vastas estruturas de tijolos vermelhos, placas originais desgastadas e um telhado em dente de serra característico. Com mais de 120 anos de história, é um dos poucos exemplos remanescentes de seu tipo.
Em 17 mil metros quadrados, a construção possui amplos espaços internos, pátina natural e vestígios de elementos rurais. A empresa de arquitetura responsável percebeu que tais elementos criavam um espaço urbano único para morar, trabalhar e socializar. Foi exatamente com tal conceito que decidiu trabalhar ao transformá-lo em centro comunitário de uso misto, devolvendo aos moradores um valioso espaço na periferia da cidade.
Nos últimos anos, o prédio tem servido a diversos fins, desde um depósito de figurinos para o Balé Australiano até um espaço de estúdio para empreendimentos artísticos independentes. Desde 2016, os arquitetos da Woods Bagot têm mantido contato regular com a comunidade durante o processo de renovação e restauração do edifício.
A chamada “reutilização adaptativa” consistiu não somente em preservar uma história, mas também em incluir estruturas que antes eram negligenciadas. Mas, como garantir segurança e acessibilidade sem comprometer um rico patrimônio? Adequar-se às normas vigentes, é um dos maiores desafios de edifícios antigos, mas é uma medida essencial para que sejam espaços inclusivos a todos.
As intervenções incluem elevadores modernos de vidro e passarelas suspensas, que melhoram o acesso e dinamizam o espaço interior. Os paralelepípedos originais em corredores do terreno foram individualmente removidos, aplainados e reinstalados para melhorar a acessibilidade para cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e bicicletas.
O projeto também prioriza o benefício da comunidade por meio da integração de espaços públicos, conectividade para pedestres e instalações que incentivam a interação social. Múltiplos pontos de acesso foram cuidadosamente planejados para proporcionar conexões, convidando à colaboração entre os setores público e privado. Fundamental para o projeto foi a criação de uma “praça pública”, estrategicamente localizada no coração do bairro, oferecendo assentos em estilo auditório com muita luz natural – um espaço para as pessoas se encontrarem, compartilharem experiências, socializarem e se conectarem. A praça pública se conecta ao novo corredor ferroviário revitalizado, uma via compartilhada para pedestres e ciclistas com paisagismo.
Os arquitetos adotaram uma abordagem circular abrangente para a construção do projeto, adicionando apenas o necessário e removendo somente quando absolutamente imprescindível. A maioria dos materiais existentes foi preservada, com melhorias no telhado, janelas e entradas para otimizar o desempenho térmico. Os materiais considerados “descartáveis” foram reaproveitados em outras partes da obra. Por exemplo, as vigas de madeira de pinho removidas foram recuperadas durante a reforma e transformadas em corrimãos na área pública e em passarelas de ligação. A madeira proveniente da obra foi despregada e aplainada por marceneiros locais e reintegrada à reforma.
A reutilização de materiais em Younghusband resultou em uma redução de 84% no carbono incorporado em comparação com edifícios de referência semelhantes (equivalente a 11.335.000 kg de economia de carbono). O prédio também possui um sistema de energia solar fotovoltaica de 330 kW no telhado e armazenamento em baterias para complementar as necessidades elétricas do edifício. Equipamentos eficientes reduziram o consumo de energia do edifício em 34%, e o complexo é totalmente neutro em carbono em sua operação.
Um reservatório de coleta de água da chuva abastece a irrigação paisagística e as descargas dos vasos sanitários e, juntamente com acessórios e equipamentos eficientes, o consumo de água potável do edifício foi reduzido em 25% em comparação com um edifício de referência típico.
Desta forma, uma paisagem industrial antes subutilizada agora é apta para celebrar a identidade cultural de Melbourne conectando-a às futuras gerações.

Fonte: CicloVivo

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