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Curiosidade humana ameaça golfinho solitário de Veneza, que se recusa a ir embora

05/03/2026

Veneza foi conquistada por um visitante que se recusa a ir embora: um golfinho acrobático e arisco. Avistado pela primeira vez em junho de 2025, o animal apelidado de Mimmo vem encantando turistas e venezianos há meses com seus saltos em frente ao principal cartão postal da cidade italiana. Sua proximidade com os humanos, porém, o coloca em risco.
Isso porque o "golfinho de Veneza" rapidamente se tornou uma celebridade, levando pessoas a tentar alimentá‑lo e tocá‑lo, além de estimular passeios guiados e aproximações erráticas de embarcações, alerta um estudo publicado, por diversos pesquisadores que monitoram a situação de Mimmo, nesta quarta-feira (25) na revista científica Frontiers.
"Esse comportamento inadequado por parte dos humanos aumentou o nível de perturbação, bem como o risco de colisões com hélices e barcos e de habituação à proximidade humana", afirmam os pesquisadores.
O animal se fixou em Veneza após três meses vagando pela região, com clara preferência pelas águas próximas à praça de São Marcos, um dos destinos turísticos mais movimentados do mundo. A lagoa de Veneza já integrou historicamente a área de alcance dos golfinhos do Adriático, mas registros desse tipo tornaram‑se raros desde a década de 1970, indica a pesquisa.
O avistamento mais recente envolveu um par de golfinhos‑listrados vistos em fevereiro de 2021, rapidamente guiados de volta ao mar aberto com dispositivos acústicos. Eles nunca retornaram.
Especialistas acreditam que Mimmo chegou a Veneza após seguir um cardume para dentro das águas separadas do mar aberto. O nome veio do instrutor de vela que o avistou pela primeira vez, perto da cidade pesqueira de Chioggia.
O animal segue o padrão do chamado "solitário social", geralmente um golfinho macho jovem que se afasta do grupo por motivos alimentares ou sociais e acaba entrando em contato com humanos, explicou Sandro Mazzariol, veterinário que compõe a pesquisa.
"Há cerca de cem casos documentados no mundo em que esses animais ficam totalmente à vontade e permanecem saudáveis mesmo sem interagir com seus pares", disse Mazzariol em um vídeo no Facebook.
Diversas tentativas foram feitas para levá‑lo de volta ao mar aberto. No último sábado, agências usaram dispositivos acústicos de baixa intensidade para afastá-lo da bacia de São Marcos, mas a estratégia funcionou por pouco tempo. O golfinho voltou em menos de uma hora, como os especialistas temiam.
"É muito preocupante, porque é um ponto crítico com enorme tráfego de embarcações", disse Guido Pietroluongo, veterinário da equipe de resposta a encalhes de golfinhos, baleias e toninhas da Universidade de Pádua e um dos participantes do estudo.
A bacia de São Marcos, o trecho raso em frente à praça de São Marcos que conecta os canais da Giudecca e o Grande Canal, é intensamente movimentada por balsas, ônibus aquáticos, táxis marítimos e barcos particulares.
Durante a operação frustrada, especialistas confirmaram que Mimmo sofreu lesões superficiais, provavelmente causadas por uma hélice de barco, afirmou Pietroluongo. Foi a primeira vez que notaram ferimentos no animal. Ainda assim, há preocupação com sua segurança enquanto permanecer tão próximo da atividade humana.
Após extensa análise que considerou cenários como a frustrada dissuasão acústica, a tentativa de captura e remoção do animal e a tolerância de sua presença combinada com boas práticas de manejo, a conclusão da equipe foi a de que é o comportamento humano que precisa ser revisto, não o do golfinho.
"Reunimos evidências que indicam que o comportamento desse golfinho não é ´anormal´, e sustentamos que o animal não precisa ser salvo de ameaças além do comportamento humano inadequado e ilegal", afirma o estudo.
Não há ações imediatas previstas. Uma das esperanças é que a queda sazonal de temperatura o atraia para fora da lagoa em direção a águas mais quentes, disse Pietroluongo.
Mimmo tem sido descrito como saudável e bem alimentado, com uma dieta digna de turista veneziano: tainha, robalo e dourada. Seu comportamento também é considerado normal, incluindo seus saltos brincalhões.
A equipe da Universidade de Pádua sai semanalmente para checar o animal e recebe atualizações constantes de cidadãos que enviam fotos e vídeos.
As autoridades alertam moradores e navegadores para não alimentar nem interagir com o golfinho —o que constitui crime. Estes animais são protegidos por leis italianas, europeias e internacionais.
Para os pesquisadores, isso é uma oportunidade para a cidade apostar em medidas adequadas de controle, limites de velocidade e firme dissuasão de comportamentos humanos inadequados.
"Uma estratégia desse tipo evidenciaria o compromisso da cidade de Veneza em valorizar, acolher e proteger um dos representantes mais emblemáticos da fauna marinha do Adriático. Se bem conduzido, o caso do ´golfinho de Veneza´ poderia tornar‑se um modelo exemplar de convivência entre humanos e vida selvagem em ambientes urbanos", conclui a pesquisa.

Fonte: Folha de S. Paulo

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