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Jacutinga, extinta na Mata Atlântica do ES, RJ e BA, pode voltar à natureza com projeto de conservação

10/03/2026

A jacutinga, ave considerada uma das mais importantes da Mata Atlântica, pode voltar a viver em áreas onde desapareceu há décadas. Extinta no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e no Sul da Bahia, a espécie é alvo de um projeto de conservação desenvolvido pelo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa, Região Serrana do estado.
O trabalho começou a ganhar força em 2023, quando o instituto recebeu seis jacutingas de criadores conservacionistas e começou com o projeto.
Desde então, o número de aves chegou a 26, resultado de um processo de reprodução em cativeiro considerado acima das expectativas pela equipe técnica.

“É uma espécie que a gente não encontra mais no estado do Espírito Santo, nem no Sul da Bahia, nem no Rio de Janeiro. Então, a ideia de ter esses indivíduos aqui é exatamente possibilitar a reprodução para que, no futuro, a gente possa fazer a reintrodução em locais onde ela ocorria anteriormente”, explica a bióloga Flávia Guimarães.

A jacutinga deixou de ser vista em grande parte da Região Sudeste por causa do desmatamento, da caça e da extração ilegal de palmito, um dos principais alimentos da espécie.
No museu, o ciclo de conservação começa ainda no ovo. Em incubadoras, temperatura e umidade são controladas para garantir o desenvolvimento saudável dos embriões.
Após o nascimento, os filhotes passam por acompanhamento intensivo, com alimentação balanceada e monitoramento diário.
"Eles encontraram um ambiente adequado, alimentação favorável e longe do estresse. Tudo isso favoreceu que a taxa de reprodução fosse boa. Tivemos um número de nascimentos até superior ao que esperávamos", afirmou a médica veterinária Mariana Furtado.
À medida que crescem, as aves são levadas para locais maiores, que simulam a Mata Atlântica. Ali, aprendem a se equilibrar, buscar alimento e desenvolver comportamentos naturais.
Antes da soltura definitiva, passam por uma fase de isolamento do contato humano, para reduzir a dependência e aumentar as chances de sobrevivência na natureza.
"Para que essa ave possa, ao longo do tempo, ir aprendendo a se alimentar sozinha e tendo comportamentos naturais para sobreviver na natureza", explicou Flávia.
Todas as jacutingas recebem microchips e anilhas coloridas, que permitem a identificação individual. A equipe também pretende instalar câmeras na área de soltura para acompanhar o deslocamento das aves.
"A gente pretende colocar câmeras fotográficas na mata para conseguir acompanhar naturalmente o indivíduo passando na frente da câmera. Assim, é possível saber quais locais estão utilizando e por quanto tempo permanecem ali", disse a bióloga.
Além do valor simbólico, a volta da jacutinga tem impacto direto no equilíbrio da floresta. A espécie atua como dispersora de sementes, contribuindo para a regeneração da Mata Atlântica.

Fonte: g1

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