
31/03/2026
Durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (COP15/CMS), realizada em Campo Grande, especialistas destacaram a importância das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) para proteger espécies migratórias e ampliar as áreas preservadas no Pantanal. Veja o vídeo acima.
Segundo o engenheiro florestal Pedro Bruzzi, superintendente executivo da Fundação Pró Natureza (Funatura), essas áreas privadas são essenciais para aumentar a proteção ambiental no país, principalmente em biomas como o Pantanal e o Cerrado, que ainda têm pouca área oficialmente preservada.
Atualmente, o Brasil ainda está distante da meta internacional de conservar 30% das áreas naturais. No Pantanal, por exemplo, cerca de 5% do território está protegido, mesmo após novas áreas anunciadas durante a COP15.
Em Mato Grosso do Sul, existem atualmente 60 RPPNs, o que coloca o estado entre os que mais possuem esse tipo de reserva no país. Apesar dos números considerados importantes, especialistas afirmam que ainda é necessário ampliar essas áreas.
Isso acontece porque cerca de 80% do Pantanal está em propriedades privadas. Por isso, a criação de reservas dentro dessas áreas é vista como uma das principais oportunidades para expandir a conservação ambiental.
Segundo Bruzzi, as RPPNs ajudam a preservar não apenas grandes áreas, mas também pequenos fragmentos de vegetação, que funcionam como corredores ecológicos.
"Na medida em que a gente conseguir avançar com a criação de RPPNs no estado, a gente tem uma contribuição super importante e necessária para a conservação da biodiversidade."
Esses corredores são fundamentais para que os animais consigam se deslocar entre diferentes áreas, garantindo alimentação, reprodução e sobrevivência das espécies.
Além disso, o Pantanal tem papel estratégico para espécies migratórias, especialmente aves que percorrem longas distâncias entre países e continentes.
Estudos realizados na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal, considerada a maior do Brasil, mostram que algumas espécies migratórias utilizam a área como local de reprodução.
Essas aves se deslocam para outras regiões da América do Sul e depois retornam ao Pantanal para se reproduzir, o que reforça a importância dessas áreas como pontos de descanso e abrigo ao longo das rotas migratórias.
Outro destaque recente é o papel das pequenas áreas protegidas, que vêm ganhando atenção em estudos científicos.
Pesquisas da Universidade Federal de Goiás (UFG) indicam que áreas menores podem abrigar cerca de 14% da biodiversidade de animais vertebrados, mostrando que mesmo fragmentos reduzidos têm valor ambiental.
De acordo com especialistas, criar novas unidades públicas de conservação tem se tornado cada vez mais difícil por falta de áreas disponíveis. Por isso, a proteção dentro de propriedades privadas tem sido vista como uma alternativa estratégica.
Além da preservação da fauna e da flora, essas áreas também contribuem para a produção de água e para o equilíbrio do clima, fatores importantes inclusive para atividades agrícolas.
A reportagem na íntegra pode ser lida no g1
Tomografia é usada para avaliar saúde das árvores em Niterói
30/04/2026
Natura e Defesa Civil vão criar núcleos comunitários para eventos climáticos
30/04/2026
Araras-vermelhas-grandes voltam a nascer na mata atlântica
30/04/2026
Alok lança projeto de ecoturismo comunitário na Caatinga
30/04/2026
Pesquisadora da Amazônia vence maior prêmio da ciência brasileira
30/04/2026
Imagem de satélite da NASA mostra floresta na Patagônia tingida de laranja no outono; VEJA
30/04/2026
