
07/04/2026
Ondas de calor e períodos prolongados de seca têm tornado os incêndios florestais cada vez mais frequentes e intensos. Na América do Sul, as áreas queimadas se multiplicaram por 30 entre 2024 e 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Diante desse cenário, surgem também novas soluções para reduzir os impactos do fogo. Em Pernambuco, um pesquisador transformou anos de trabalho em laboratório em um negócio voltado justamente para enfrentar esse desafio climático.
Formado em química industrial, o empreendedor José Yago Rodrigues sempre imaginou seguir carreira acadêmica. O plano era se tornar pesquisador e professor universitário.
Mas a experiência em projetos de recuperação ambiental abriu caminho para algo diferente: criar uma startup de soluções tecnológicas para o meio ambiente.
“Meu sonho era virar pesquisador. Quando a gente entra no mestrado e no doutorado, normalmente tem essa expectativa”, afirma José Yago.
A virada aconteceu em 2019, após o desastre ambiental causado pelo derramamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste e afetou mais de 130 cidades e cerca de 3.600 quilômetros de praias.
Na época, José Yago participou de uma equipe que desenvolveu uma manta de gel capaz de absorver o óleo na água, usando alginato de sódio — um composto extraído de algas marinhas também utilizado na indústria alimentícia.
O material funciona como uma esponja seletiva, absorvendo o óleo enquanto a água passa. A experiência mostrou ao pesquisador que a tecnologia poderia ser adaptada para outras aplicações ambientais.
Foi então que surgiu a ideia de criar um novo produto: um biogel capaz de ajudar no combate a incêndios florestais e agrícolas.
O produto é misturado à água e cria uma camada protetora sobre a vegetação. Essa barreira ajuda a evitar a propagação do fogo e aumenta a eficiência do combate às chamas.
Segundo o empreendedor, o gel amplifica a capacidade da água de apagar incêndios. “A gente desenvolveu um gel capaz de apagar um incêndio mais rápido, usando menos água. Ele é biodegradável, atóxico e seguro”, explica José Yago.
O produto pode ser aplicado com equipamentos usados por bombeiros, como bombas costais, caminhões-pipa ou drones, o que amplia as possibilidades de uso no campo.
O biogel foi patenteado em 2021, quando Rodrigues decidiu criar uma empresa para levar a tecnologia ao mercado.
A startup recebeu investimentos por meio de editais de fomento do governo de Pernambuco e também de programas federais de apoio à inovação.
Mesmo assim, transformar pesquisa em negócio trouxe novos desafios. “Empreender é um desafio diário. A gestão da empresa e a parte financeira são obstáculos para quem vem do mundo acadêmico”, diz o fundador.
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