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Jardim botânico na amazônia reúne etnoturismo, agrofloresta e reflorestamento

07/04/2026

Recuperar áreas degradadas, fomentar o etnoturismo e estruturar cadeias produtivas sustentáveis são os pilares do Jardim Botânico Paiter Suruí, localizado na terra indígena Sete de Setembro, no município de Cacoal, interior de Rondônia.
O local oferece hospedagem para pequenos grupos, trilhas guiadas, experiências culturais e gastronomia tradicional. A iniciativa conta com apoio da startup brasileira 6Wings, que atua na captação de recursos do empreendimento.
O projeto Semeando Florestas Indígenas, aplicado no jardim botânico, combina ainda o reflorestamento, sistemas agroflorestais, comércio de crédito de carbono e geração de renda a partir de produtos da floresta.
O cacique Almir Suruí, responsável pelo empreendimento, relata que os povos indígenas precisam de oportunidades para desenvolver seus próprios negócios sustentáveis, como a produção de castanha, mel, café e chocolate.
"A gente quer fazer ali um intercâmbio de conhecimentos científicos, tradicionais e tecnológicos", disse à Folha. "No jardim botânico, queremos nos aliar, comunicar e compartilhar, tudo isso em uma área de turismo e cultura."
Para o cacique, se não houver alternativas econômicas, os territórios acabam sendo pressionados por atividades ilegais, como o garimpo e o desmatamento. A bioeconomia, diz ele, pode fortalecer a autonomia do povo indígena e contribuir no enfrentamento das mudanças climáticas.
"A gente estava buscando soluções para o desmatamento pela pecuária, mas o diálogo já travou um pouco. Agora, estamos tentando impedir o garimpo ilegal de ouro dentro da terra indígena, precisamos avançar com isso", frisou.
Uma biofábrica de chocolate está em fase de implantação e prevê a capacitação de jovens indígenas para atuar na cadeia produtiva, como também na instalação de equipamentos industriais especializados para processamento do cacau.
Em março, o cacique articulou apoio de líderes econômicos de 48 países durante programação de reuniões anuais da BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Assunção, no Paraguai, voltado para América Latina e Caribe.
Almir Suruí solicitou, na ocasião, investimentos para expandir as atividades no jardim botânico, como a criação de um museu para preservar a memória do povo paiter suruí, com registro desde o seu primeiro contato com os não indígenas.
"O conhecimento indígena tem muito a contribuir com o combate a mudança climática e desenvolvimento sustentável, com visão de médio e longo prazo, e também compartilhar etnologia e inovação dentro das terras indígenas como um instrumento de gestão", acrescentou.
Criado em 2025, o Jardim Botânico Paiter Suruí já recebe os primeiros visitantes, incluindo estrangeiros. A excursão e as passagens aéreas ao local estão disponíveis para compra na plataforma da 6Wings (https://app.6wings.com/).

Fonte: Folha de S. Paulo

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