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“Terra preta da Amazônia” aumenta diâmetro de árvores em 88%

14/04/2026

Um estudo realizado no Amazonas com apoio da FAPESP demonstrou que pequenas quantidades da chamada “terra preta da Amazônia” (TPA), solo antropogênico criado por antigas populações amazônicas, são capazes de aumentar o crescimento em até 55% na altura e 88% em diâmetro do ipê-roxo (Handroanthus avellanedae), árvore que ocorre também na Mata Atlântica.
Em uma espécie amazônica, o paricá (Schizolobium amazonicum), o aumento foi de 20% na altura e 15% no diâmetro do tronco. Os resultados são referentes aos primeiros 180 dias de vida das plantas, em comparação com outras das mesmas espécies que não receberam a terra preta.
A pesquisa, publicada na revista BMC Ecology and Evolution, foi conduzida por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba, da Embrapa Amazônia Ocidental e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ambos em Manaus.
“O determinante não foi a quantidade de nutrientes em si, que não muda muito, mas os microrganismos, que eram bem diferentes, especialmente os fungos. Nas plantas tratadas com terra preta há uma reorganização da microbiota em torno das raízes, com um recrutamento mais eficiente de microrganismos benéficos e uma redução de patógenos”, explica Anderson Santos de Freitas, primeiro autor do estudo, realizado durante doutorado no Cena-USP com bolsa da FAPESP.
Além de ajudar a reflorestar áreas degradadas e prover serviços ecossistêmicos, as duas árvores analisadas podem ser usadas na exploração sustentável de madeira, principalmente o ipê-roxo.
O trabalho integra o projeto “Feedbacks planta-solo na floresta amazônica e em sistemas agrícolas no Estado do Amazonas”, apoiado pela FAPESP e coordenado por Tsai Siu Mui, professora do Cena-USP.
As terras pretas da Amazônia ou terras pretas de índio (TPI), como também são conhecidas, resultam da decomposição de matéria orgânica e do uso de fogo por populações pré-colombianas e continuam sendo criadas por povos atuais.
O estudo mostra que as TPAs abrigam um conjunto de bactérias, arqueas e fungos que ajudam as plantas a absorverem os nutrientes e ainda eliminam outros microrganismos oportunistas e patogênicos, tornando o ambiente muito mais favorável para seu crescimento.
“Estudamos as terras pretas há mais de 20 anos e testamos diversas formas de uso. A ideia é entender o que elas têm de melhor para as árvores crescerem mais rápido e mais fortes em áreas degradadas”, conta Tsai.
“Quando se desmata, principalmente para pastagem, a tendência é que o solo seja mal manejado, o que leva a uma perda muito rápida de microrganismos e nutrientes. O objetivo é recuperar a floresta e os serviços ecossistêmicos nessas áreas”, completa.
Protegidas por lei, as terras pretas são reguladas pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), órgão colegiado presidido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“Usamos pequenas quantidades nos experimentos, após obter autorização do CGen. A ideia não é que as pessoas a utilizem diretamente, o que é proibido, mas entender como ela é formada, qual seu conteúdo e quais microrganismos e processos a tornam tão especial. Com isso, poderíamos reproduzi-la ou isolar seus componentes que possam ser úteis”, diz Freitas.

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