
21/05/2026
Mesmo em uma das regiões mais estudadas do país, a Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro ainda revela espécies desconhecidas pela ciência. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descreveram uma nova espécie de marsupial encontrada em fragmentos florestais da Baixada Litorânea e do Litoral Norte fluminense. Batizado de cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro, o animal recebeu o nome científico de Monodelphis semilineata.
A descoberta foi publicada na revista científica “Journal of Mammalogy” por Isabelle Chagas Vilela Borges, Carina Azevedo Oliveira Silva e Pablo Rodrigues Gonçalves, ligados ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva da UFRJ e ao PPG-CiAC. O estudo revisou a classificação de cuícas antes identificadas como Monodelphis iheringi e concluiu, com base em análises genéticas e anatômicas, que os animais encontrados no Rio pertencem a uma espécie distinta.
O pequeno marsupial pesa apenas algumas dezenas de gramas, possui olhos reduzidos, focinho pontudo e alimentação baseada principalmente em insetos. A espécie habita remanescentes de Mata Atlântica em cidades como Macaé, Silva Jardim e Paracambi.
— O nome científico semilineata significa “meio-listrada”, pois, diferente de seus parentes mais próximos, a listra preta central das costas é mais curta e desaparece antes de chegar ao focinho — afirmou Isabelle Borges, autora principal do estudo.
Segundo a pesquisadora, diferenças no crânio e na dentição também ajudaram a separar a nova espécie da Monodelphis iheringi, que pode viver nas mesmas áreas da nova cuíca.
Além das análises morfológicas, os pesquisadores utilizaram sequências de DNA para reconstruir a história evolutiva da espécie. Os resultados indicam que a cuíca-de-três-listras-do-Rio de Janeiro surgiu há cerca de 1,78 milhão de anos, durante o período Pleistoceno.
— Seu tempo de origem coincide com o de outros mamíferos famosos e ameaçados das planícies costeiras, como o mico-leão-dourado e a preguiça-de-coleira-do Sudeste. Isso reforça a ideia de que essas planícies funcionaram como um “berçário” evolutivo único no passado — disse Pablo Rodrigues Gonçalves.
O estudo aponta ainda que a espécie possui características próprias em relação a outros marsupiais do mesmo grupo, como três listras pretas dorsais que se estendem da cauda até a região dos olhos, além de diferenças na pelagem e na estrutura dentária.
A descoberta também acendeu um alerta para a conservação da espécie. Segundo os pesquisadores, a cuíca ainda não foi registrada em unidades de conservação de proteção integral, como parques e reservas biológicas.
— A espécie é extremamente vulnerável, especialmente porque os fragmentos onde ela ocorre ficam próximos de grandes empreendimentos industriais, como o Terminal de Cabiúnas, além de rodovias de fluxo intenso, como a BR-101 — afirmou Carina Azevedo Oliveira Silva.
Para os autores, o fato de uma nova espécie de mamífero ter sido descoberta em uma área densamente povoada e amplamente estudada reforça o quanto a biodiversidade da Mata Atlântica ainda é pouco conhecida e depende da preservação dos remanescentes florestais para sobreviver.
Fonte: O Globo
Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo
16/07/2026
Horta hidropônica vira aula de química a céu aberto
16/07/2026
Antes de extração, projeto de petróleo na costa amazônica gera expansão de invasões
16/07/2026
Fundo de Catástrofes amplia apoio às vítimas das chuvas
16/07/2026
Energia solar protege água em canais da Califórnia
16/07/2026
Salton, o maior lago da Califórnia, está encolhendo
16/07/2026
