
16/06/2026
A intensa onda de calor da primavera na Europa mostrou a rapidez com que os extremos climáticos se tornaram "o novo normal", disseram cientistas, depois que o mês de maio quebrou uma série de recordes nacionais e foi o segundo mais quente globalmente.
O serviço de observação da Terra da União Europeia, o Copernicus, disse em sua última série de dados mensais que a velocidade da oscilação de temperaturas abaixo da média para temperaturas elevadas em países ocidentais deu às pessoas, às plantações e aos ecossistemas pouco tempo para se aclimatarem.
"A onda de calor incomumente precoce e intensa demonstra a rapidez com que os extremos climáticos estão se tornando o novo normal, em vez de exceção", disse Samantha Burgess, líder estratégica de clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
A Terra está acumulando calor em ritmo acelerado, concluiu também um relatório anual de indicadores climáticos globais essenciais publicado na quarta-feira (10) na revista Earth System Science Data, enquanto os gases de efeito estufa permanecem em níveis máximos.
Reino Unido, França, Irlanda e Portugal enfrentaram condições particularmente severas no mês passado. A Espanha teve 101 mortes relacionadas ao calor, o maior número para o mês desde que o monitoramento começou. Na França e no Reino Unido, afogamentos foram mais comuns à medida que as pessoas buscavam alívio em águas desconhecidas.
Em grande parte do continente, a sensação térmica subiu para entre 35°C e 40°C, o que leva em conta o efeito da umidade, do vento e da radiação solar sobre o corpo humano.
"Embora notável, o evento é consistente com o rápido aquecimento da Europa e a tendência de longo prazo de ondas de calor mais frequentes, mais intensas e mais precoces na estação", disse o relatório mensal do Copernicus.
A temperatura média global do ar na superfície em maio foi de 1,42°C acima da média pré-industrial, chegando a 15,8°C. A extensão média do gelo marinho ficou 4% abaixo da média no Ártico e 9% abaixo da média na Antártida.
O maio mais quente já registrado globalmente foi em 2024 —também o ano mais quente do mundo— quando a temperatura global do ar na superfície atingiu 15,91°C, ou mais de 1,5°C desde a era industrial.
O aquecimento atingiu 1,37°C no ano passado em relação aos níveis pré-industriais e vem aumentando a uma taxa de cerca de 0,27°C por década, com base nos dados de 2025, concluiu o relatório da Earth System Science Data.
Valérie Masson-Delmotte, do Institut Pierre-Simon Laplace da França, uma unidade de pesquisa em ciência climática, disse que os dados eram uma "verificação da realidade" que mostrava a necessidade de as sociedades se prepararem para extremos e perdas futuras.
A Europa é o continente que aquece mais rapidamente, em parte devido à sua proximidade com o Ártico, onde o derretimento do gelo e da neve expõe solo mais escuro que absorve os raios solares.
O ar quente também retém mais umidade. Enquanto grande parte da Europa ocidental, central e oriental experimentou condições mais secas que a média em maio, houve inundações generalizadas na Turquia, Bulgária e Moldávia, além de condições mais úmidas que a média no noroeste da Europa continental, norte da Escandinávia e região do Mar Negro.
Outras partes mais úmidas do mundo no mês passado incluíram o oeste da China, bem como áreas do Brasil e da Austrália. Em contraste, o centro dos EUA, grandes áreas da Ásia Central, sudoeste da Austrália e América do Sul estiveram mais secos que a média.
As temperaturas no Pacífico tropical estavam "excepcionalmente altas" enquanto a parte oriental do oceano continuava em transição para condições de El Niño. Esse efeito de aquecimento do oceano Pacífico tipicamente eleva as temperaturas globais e agrava eventos climáticos extremos.
Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, disse esta semana, na abertura das negociações climáticas internacionais na cidade alemã de Bonn, que os efeitos do evento de aquecimento El Niño seriam "supercarregados pela crise climática" e "prometem mais sofrimento e choques inflacionários".
Fonte: Folha de S. Paulo
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