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Reino Unido encerra era do carvão na geração de energia

13/07/2026

O carvão ficou para trás na geração de eletricidade do Reino Unido. Na última segunda-feira, o país tornou-se a primeira nação do G7 a eliminar formalmente essa fonte de energia, com o fechamento de sua última usina termelétrica, a de Ratcliffe-on-Soar, em Nottinghamshire. O marco encerra mais de 140 anos de geração elétrica baseada nesse combustível fóssil e representa um importante avanço nos esforços de descarbonização do país. A decisão é resultado de uma estratégia anunciada em 2015, quando a Grã-Bretanha iniciou sua retirada gradual como parte do plano de combate às mudanças climáticas. Na época, essa fonte respondia por cerca de 30% da eletricidade gerada no país, mas, no ano passado, sua participação havia caído para pouco mais de 1%, culminando agora com o fechamento da usina.
A redução do uso do carvão teve impacto direto na queda das emissões de gases de efeito estufa da Grã-Bretanha, que diminuíram mais da metade desde 1990. Como as emissões provenientes da geração de eletricidade representam cerca de três quartos do total de gases de efeito estufa do país, a substituição do carvão é considerada um passo fundamental para alcançar a meta de emissões líquidas zero até 2050. “O Reino Unido provou que é possível eliminar gradualmente a energia a carvão em uma velocidade sem precedentes”, afirmou Julia Skorupska, chefe do Secretariado da Aliança para Eliminar o Carvão (Powering Past Coal Alliance). A organização, formada por governos de mais de 60 países, trabalha para acabar com a geração de energia a carvão em todo o mundo, e vê a rápida transformação britânica como inspiração para outras nações que buscam cumprir suas metas climáticas.
O governo também destaca os impactos econômicos dessa mudança. Segundo o Ministro da Energia, Michael Shanks, “A era do carvão pode estar chegando ao fim, mas uma nova era de bons empregos na área de energia para o nosso país está apenas começando”. Para cumprir a meta de descarbonizar completamente o setor elétrico até 2030, o Reino Unido pretende ampliar a participação de fontes renováveis, como a energia eólica e a solar. Enquanto isso, outros integrantes do G7 ainda enfrentam desafios significativos. Alemanha e Japão, por exemplo, continuam altamente dependentes do carvão, responsável por mais de 25% e 30% da eletricidade gerada nesses países, respectivamente. “Há muito trabalho a ser feito para garantir que a meta de 2035 seja atingida e antecipada para 2030, principalmente no Japão, nos EUA e na Alemanha“, afirmou Christine Shearer, analista de pesquisa da Global Energy Monitor.
Em abril, o G7 concordou em eliminar gradualmente a geração de energia a carvão até 2035, mas críticos avaliam que os países mais dependentes desse combustível estão avançando em ritmo lento. Nesse cenário, o fechamento da usina de Ratcliffe-on-Soar simboliza um sucesso histórico na luta contra as mudanças climáticas e inaugura uma nova etapa para o Reino Unido, agora voltada à expansão das fontes renováveis para atender à demanda energética futura. Embora a construção de um setor elétrico totalmente descarbonizado ainda exija investimentos e esforços significativos, o país passa a ocupar posição de destaque na transição global para uma matriz energética mais limpa.

Fonte: CicloVivo

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