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Mineração de águas profundas pode devastar moluscos enigmáticos, alertam cientistas

21/07/2026

A mineração em águas profundas ameaça levar à extinção mais da metade dos caramujos e outros moluscos que dependem de fontes hidrotermais, de acordo com a última atualização da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, a autoridade científica global sobre a situação das espécies, conhecida pela sigla em inglês IUCN.
A descoberta surge no momento em que nações estão expandindo seus planos de mineração em águas profundas, em busca dos chamados minerais críticos, necessários para eletrônicos e outros usos.
Alguns desses elementos são encontrados dentro e ao redor de estruturas semelhantes a chaminés próximas às fontes hidrotermais, áreas onde a água fria do mar penetra por fissuras na crosta terrestre e encontra o magma. À medida que a água aquece, ela absorve elementos como cobre, zinco, ouro e prata antes de ser lançada de volta ao oceano em temperaturas que podem ultrapassar 400°C. O resfriamento rápido faz com que os metais se precipitem.
As empresas estão interessadas em extrair esses e outros metais do fundo do mar, argumentando que a demanda crescente combinada com o sério impacto ambiental da mineração em terra torna os oceanos uma fonte atraente.
Mas as fontes e suas áreas circundantes são tão ricas em vida quanto em metais. Ao redor do mundo, elas abrigam criaturas como vermes tubulares gigantes que podem atingir mais de 1,8 metro de comprimento, enxames de camarões de um branco fantasmagórico e caranguejos de aparência peluda. As estruturas em forma de chaminé também são cobertas por caramujos e outros moluscos, que são o foco da atualização da Lista Vermelha.
A estranheza desses animais faz parte de sua importância científica. Poucos seres vivos conseguiriam sobreviver, muito menos prosperar, em um ambiente tão intenso.
Em vez de depender da luz solar como combustível (seja diretamente, como as plantas, ou indiretamente, ao longo da cadeia alimentar), esses animais funcionam com base em bactérias que transformam substâncias químicas liberadas pelas fontes hidrotermais, como o sulfeto de hidrogênio, em alimento.
"Lá embaixo, eles usam a Terra como energia", disse Chong Chen, cientista sênior da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha e Terrestre, que trabalhou na avaliação dos moluscos.
E a estranheza não para por aí. Um exemplo é o caramujo-de-pé-escamoso. Sua carne externa é coberta por escamas que contêm nanopartículas de sulfeto de ferro, e sua concha também é infundida com ferro.
"É o único animal que gruda em ímãs", disse Chen. Quando os caramujos são expostos ao ar, acrescentou, "eles enferrujam".
O caramujo-de-pé-escamoso está entre os 62% desses moluscos, ou 125 das 201 espécies conhecidas, que foram considerados em risco de extinção devido à mineração em águas profundas. Atualmente, essas espécies não parecem estar em declínio, mas estão ameaçadas precisamente porque vivem em áreas onde foram emitidas licenças para exploração mineradora.
"A razão pela qual foram classificados como ameaçados é porque existe uma ameaça clara e ativa de que todo o seu habitat, cada lugar onde vivem na Terra, pode ser destruído se a mineração comercial em águas profundas prosseguir conforme atualmente planejado", afirmou Julia Sigwart, chefe de zoologia marinha do Instituto de Pesquisa e Museu Senckenberg, na Alemanha, e uma das cientistas que ajudou a liderar a avaliação.
Mesmo que as chaminés submarinas sejam mantidas no lugar, disse ela, o sedimento proveniente da perturbação das áreas circundantes sufocaria os moluscos.
Em todo o mundo, existem cerca de 600 locais conhecidos no oceano contendo fontes hidrotermais, cada um aproximadamente do tamanho de um auditório ou de um campo de futebol. Acredita-se que existam centenas mais.

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